Diretor do Iapen é denunciado ao MPAC por usar máquina pública para realizar curso com fins particulares; ele ainda foi reprovado

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Diretor do Iapen é denunciado ao MPAC por usar máquina pública para realizar curso com fins particulares; ele ainda foi reprovado

Após a denúncia publicada em primeira mão pelo Na Hora da Notícia, sobre a acusação de que o diretor do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), Alexandre Nascimento, teria cometido assédio moral contra policiais penais, a reportagem levantou que o mesmo diretor já foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) por utilizar equipamento do Governo do Acre para realizar um curso com fins particulares.

A denúncia foi formulada na Ouvidoria do Ministério Público do Estado do Acre no último dia 25 de abril, registrada com o protocolo número 11.2024.00000432-0. Segundo a denúncia, Alexandre Nascimento teria usado a estrutura do Estado para proporcionar um curso de instrutor de tiros, em parceria com a iniciativa privada, desatinado a policiais penais, porém, pessoas que não fazem parte da segurança pública do Estado também participaram do curso.

Segundo participantes do curso, a inscrição custou R$ 5 mil cada um. No entanto, o diretor Alexandre Nascimento teria feito o curso gratuitamente, ou como os denunciantes descrevem, “0800”. Em troca, ele teria que viabilizar o local para as provas de tiros, as armas a serem usadas pelos alunos e a munição, sem que a iniciativa privada tivesse nenhuma despesa nesse sentido.

O curso, de acordo com os requerimentos, teria uma carga horária de 94,5 horas e seria realizado de 25 a 28 de abril de 2024, sendo a maior parte das instruções no sistema EAD, com apenas três dias de prática. O Curso de Formação de Instrutores em AMT do Projeto IAT, apesar de particular, recebeu por meio de requerimento a “doação” de 150 munições de pistola calibre .40 e 80 munições de espingarda calibre 12. Vale salientar que foram feitos pelo menos 12 requerimentos, solicitando cada um a mesma quantidade de munições, totalizando mais de 2760 munições. No entanto, a informação é de uma turma de cerca de 30 alunos, o que significa que esse número de munições pode ter sido bem maior do que consta nos requerimentos deferidos.

A reportagem teve acesso a memorandos, requerimentos e despachos que constam no SEI (Sistema Estadual Integrado). Além das munições, o estande de tiros do Bope (Batalhão de Operações Especiais) também teria sido solicitado pelo Iapen para a realização das provas práticas do curso, mesmo sendo uma iniciativa privada, além de armas, como espingardas calibre 12, de uso das forças de segurança pública do Estado.

Diretor do Iapen é denunciado ao MPAC por usar máquina pública para realizar curso com fins particulares; ele ainda foi reprovado

“O que eu sei é que ele (Alexandre) fez o curso no 0800, e talvez alguns amigos dele também, já que tinha gente que não era nem da segurança pública. Denunciamos porque não achamos correto que toda essa munição tenha sido doada, já que o curso é particular e caro. Pra atender os servidores é uma luta, mas para atender aos caprichos dos diretores e pessoas do alto escalão, tudo fica fácil”, disse um servidor, que terá sua identidade preservada por medo de retaliação. “Ele (Alexandre Nascimento) que agilizou para a empresa vir dar o curso aqui. Esse curso é EAD, e apenas três dias são presenciais, quando o pessoal vem à cidade para a parte prática de tiro. O mais doido é que, mesmo ele fazendo no 0800, ele não foi aprovado. Só falta terem dado o certificado para ele”, disse outro participante do curso.

De acordo com informações de alguns alunos, seis participantes reprovaram no curso, entre eles o diretor Alexandre Nascimento:

1. Alexandre Nascimento
2. João (GPOE)
3. Gilberto Leitão Rosas (Giba)
4. Herivelton (GPOE)
5. Elias Galvão
6. Esposa de Kenedy Lira

De acordo com a assessoria de imprensa do Iapen, não há razão para as denúncias, e cursos são comuns para preparar os policiais penais, mas não citou a participação de pessoas que não fazem parte do quadro da segurança pública do estado.

“Rose, boa tarde! Não faz sentido a denúncia. É comum os servidores do Iapen passarem por diversos tipos de treinamentos e capacitações. Os cursos são constantes e podem contar com parcerias quando há necessidade, e não há nenhuma ilegalidade nisso. No momento, estamos com alguns cursos em andamento e outros sendo planejados”, disse a assessora Crislei Souza.

O NHN entrou em contato com o Ministério Público e confirmou que “a denúncia existe, mas ainda não foi distribuída. A ouvidoria recebeu no dia 25/04. Então tem até 25/05 para distribuir”.

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