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MUNDO

Veja como o ‘tarifaço’ de Trump impacta setores do Brasil e o bolso dos brasileiros

Publicado em

Donald Trump anunciou tarifas contra diversos países Foto: FRANCIS CHUNG/EPA-EFE/REX/Shutterstock / BBC News Brasil

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou na quarta-feira, 2, um pacote com novas tarifas, ao qual chamou de ‘Dia da Libertação’. Deste modo, as tarifas podem afetar as empresas brasileiras que possuem alta exposição aos mercados norte-americano.

Para o Brasil, o percentual de tarifas estabelecido foi de 10%, fato que pode deixar os produtos nacionais mais competitivos que de outros países. A título de comparação, a China será taxada em 34%, enquanto as tarifas contra produtos da União Europeia serão de 20%. (Veja as tarifas impostas a cada país)

Um impacto significativo para o Brasil deve ser no setor de aço e alumínio, considerando que em fevereiro Trump anunciou uma tarifação de 25% sobre tais produtos. Sendo assim, companhias como a CSN e a Usiminas, que exportam parte da produção para os EUA, podem sofrer o reflexo.

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Já o consumidor brasileiro deve sofrer com ‘guerra tarifária’ e a inflação que acontece com esse movimento, já que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), pode ser forçado a parar o corte de juros mais cedo ou, então, voltar a subir taxas.

Portanto, os juros nos EUA elevados, além de a renda fixa, por lá, também pagar mais, leva investidores a migrar ou manter seu capital alocado em tais mercados, cenário que afeta a bolsa brasileira, ou seja, dólares tendem a sair do Brasil rumo ao país americano.

Como a máxima da oferta e da procura também se faz presente em moedas, a tendência é que o dólar suba, pois ele ficará mais ‘escasso’ no Brasil.

Impactos econômicos e comerciais

A professora de Relações Internacionais da Universidade São Judas, Dra. Ana Carolina Marson, aponta que o principal impacto será sentido pelo setor exportador brasileiro. “Os exportadores brasileiros vão sentir muito com esse novo tarifaço”, afirma. Setores como petróleo e ferro serão os mais afetados, pois já tinham tarifas elevadas e agora enfrentarão um aumento adicional de pelo menos 10%.

Segundo a especialista, a estratégia para minimizar os impactos negativos passa por redirecionar exportações para outros parceiros comerciais, como a China e países da Europa. No entanto, ela alerta que “não existe nenhum benefício que surja de tarifas internacionais” e que a tendência global será a retaliação. “Nenhum país vai aceitar esse tarifaço sem uma resposta”, pontua.

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Ela também diz que, diante do cenário de possível fuga de investimentos para os EUA, o Brasil precisa diversificar sua rede de parceiros comerciais, pois subsídios internos não resolveriam o problema.

Existem benefícios no tarifaço?

Já o economista-chefe da Câmara Nacional do Comércio (CNC), Felipe Tavares, tem uma visão diferente e acredita que há pontos positivos para o Brasil no pacote tarifário de Trump. “Pode ser que o Brasil ganhe competitividade, porque a importação dele é menor do que a tarifa extra aplicada a outros países”, explica. Isso porque, enquanto a taxação para o Brasil foi de 10%, outros países, como Camboja e Venezuela, foram severamente tarifados, o que pode abrir espaço para produtos brasileiros.

Ele conta que o setor de petróleo, que é um dos mais afetados, pode sair fortalecido devido às restrições impostas a concorrentes como a Venezuela. “Nosso petróleo é muito bom, e essa briga com a Venezuela pode até abrir um caminho mais forte para o petróleo brasileiro”. Da mesma forma, ele vê uma possível oportunidade no setor automobilístico, caso o embate comercial de Trump com a Europa e o México favoreça a exportação de carros brasileiros para os EUA.

Contudo, o economista alerta para os riscos de retaliação por parte do Brasil. Ele critica a postura combativa do governo, que discute medidas de reciprocidade que podem prejudicar a economia nacional. “Se o Brasil chega e começa a quebrar patente, romper contratos de empresas americanas e buscar essa perseguição, pode ser muito ruim para a gente”, afirma. Em sua visão, a melhor estratégia seria reduzir tarifas sobre produtos americanos em troca de maior acesso ao mercado dos EUA.

Tavares também destaca que, historicamente, o Brasil se beneficiou ao adotar uma postura conciliadora em disputas comerciais. “O Brasil sempre foi um País que se deu muito bem, historicamente, em aproveitar esses momentos de tensão e ser o cara gente boa na sala”. No entanto, ele teme que a atual retórica do governo brasileiro possa levar a um conflito comercial desnecessário.

Relações comerciais impactadas

O advogado Marcelo Godke, especialista em Direito Empresarial e Internacional, traz um ponto de vista diferente ao enfatizar que o tarifaço de Trump não tem um efeito direto sobre o bolso do brasileiro. “Esse imposto é sobre importação nos Estados Unidos. Isso significa que o preço do produto brasileiro vai aumentar lá, mas só afetará o bolso do brasileiro se houver uma retaliação por parte do Brasil contra produtos importados dos EUA”, explica.

Godke aponta que, caso o governo brasileiro adote medidas retaliatórias, isso poderia encarecer produtos no Brasil e gerar um efeito cascata negativo. “Se o governo brasileiro decidir aumentar o imposto de importação em resposta, aí sim a população brasileira será prejudicada”, afirma.

Ele também destaca que uma possível fuga de investimentos para os Estados Unidos pode ocorrer caso empresas decidam fabricar produtos dentro do território americano para evitar as tarifas. “Na prática, se houver retaliações, o governo americano pode responder novamente, aumentando ainda mais os impostos de importação. Com isso, as empresas podem acabar transferindo suas operações para os EUA para evitar pagar tarifas”, analisa.

Por fim, o especialista defende que a melhor estratégia para o Brasil seria evitar um confronto direto com os EUA e buscar negociações mais favoráveis. “O Brasil já cobra mais imposto de importação dos Estados Unidos do que os EUA cobram do Brasil. A solução seria simples: negociar e reduzir o imposto de importação para os produtos americanos, garantindo maior acesso ao mercado norte-americano”, conclui.

 

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