POLÍCIA
Piloto pego com 400kg de cocaína é absolvido pela Justiça Federal

O caso de Wesley Evangelista Lopes, piloto de 39 anos, expõe as complexidades do sistema judiciário brasileiro e as dificuldades em lidar com o tráfico de drogas. Sua absolvição recente, após ser encontrado com 400 kg de cocaína em uma aeronave em São Paulo, levanta questionamentos sobre a eficácia das investigações e a interpretação da lei.
A narrativa de Lopes é marcada por dois eventos distintos, mas intrinsecamente ligados: um acidente aéreo no Acre e uma apreensão de drogas em São Paulo. Em maio de 2024, seu avião monomotor caiu no rio Tarauacá, gerando especulações sobre o envolvimento com o tráfico, embora o Cenipa investigue a possibilidade de excesso de peso como causa principal. Este incidente, que chamou a atenção da mídia pela sua peculiar recuperação da aeronave, antecedeu sua prisão meses depois.
A prisão em dezembro de 2024, em Penápolis (SP), ocorreu após a interceptação de seu avião por um helicóptero da PM paulista. A apreensão de 400 kg de cocaína parecia ser uma prova irrefutável, mas a decisão judicial surpreendeu. O juiz Luciano Silva, da 2ª Vara Federal de Araçatuba, considerou a prova obtida ilegal, argumentando que a interceptação carecia de justificativa prévia suficiente. A ausência de uma “suspeita fundada prévia” invalidou a busca e, consequentemente, levou à absolvição de Wesley e seu passageiro.
Esta decisão judicial, embora tecnicamente correta segundo a lei, ignora o histórico preocupante do piloto. Lopes já havia sido apontado pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia como líder de um grupo especializado em transporte aéreo de drogas e figurou na lista da Interpol até 2018. Sua suposta atuação como operador logístico de uma rede de tráfico internacional, com bases no Norte do país, contrasta fortemente com sua absolvição.
