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CIDADES

Omissão de falha em sistema de degelo pode ter causado tragédia aérea em Vinhedo

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Um ano após o acidente aéreo que vitimou 62 pessoas em Vinhedo (SP), um ex-funcionário da Voepass revelou ao g1 informações que apontam para uma possível falha na manutenção da aeronave envolvida. Segundo o ex-auxiliar de manutenção, o piloto do voo 2293 relatou problemas no sistema de degelo do ATR 72-500 na noite anterior ao acidente. Essa informação crucial, no entanto, foi omitida do diário de bordo técnico (TLB), ignorada pela equipe de manutenção e, consequentemente, não levou a reparos antes do voo fatal (2283).

O relato do ex-funcionário indica que a pressão por manter as aeronaves em operação, mesmo com problemas, levou à omissão da falha. A equipe de manutenção, com número reduzido devido à alocação de funcionários para outros aviões, não investigou o problema por falta de registro formal no TLB. A liderança do turno justificou a decisão de ignorar o alerta verbal do piloto pela ausência de registro escrito.

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A cronologia dos eventos, combinando o relato do ex-funcionário com dados do Flightradar, demonstra a sequência de eventos:

-00h12: Decolagem de Guarulhos.

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-01h00: Pouso em Ribeirão Preto; relato verbal do piloto sobre falhas no sistema de degelo.

-01h-05h30: Manutenção básica sem investigação da falha relatada.

-05h32: Decolagem de Ribeirão Preto.

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-06h35: Pouso em Guarulhos.

-08h20: Decolagem de Guarulhos para Cascavel.

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-11h56: Decolagem de Cascavel para Guarulhos.

-13h22: Queda em Vinhedo.

A caixa-preta registrou três acionamentos do sistema de degelo durante o voo de Cascavel a Vinhedo, sugerindo sua inoperância. Especialistas em engenharia aeronáutica afirmam que a falha nesse sistema, em condições de formação de gelo, inviabilizaria o voo. A Polícia Federal já tem conhecimento da omissão da falha no TLB e investiga possíveis crimes. A Anac cassou o certificado de operação da Voepass após apurar falhas de segurança.

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O ex-funcionário acredita que a tragédia poderia ter sido evitada se a falha tivesse sido devidamente registrada e investigada. A Voepass, em nota, afirma priorizar a segurança, mas não comentou sobre as alegações específicas do ex-funcionário. A investigação da Polícia Federal busca apurar as responsabilidades pela omissão que pode ter contribuído para o desastre.

Confira, abaixo, a nota na íntegra:

No dia 9 de agosto de 2024, vivemos o episódio mais difícil de nossa história. A queda do voo 2283, na região de Vinhedo (SP), resultou em perdas irreparáveis. Um ano depois, seguimos solidários às famílias das vítimas, compartilhando uma dor que permanece presente em nossa memória e em nossa atuação diária. Em mais de 30 anos de operações na aviação brasileira, jamais havíamos enfrentado um acidente.

Desde o início de nossa trajetória, sempre priorizamos a segurança, o respeito à vida e a integridade em todas as nossas decisões. A tragédia nos impactou profundamente e mobilizou toda a nossa estrutura, humana e institucional, para garantir apoio integral às famílias, nossa prioridade.

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Nas primeiras horas após o acidente, formamos um comitê de gestão de crise e trouxemos profissionais especializados — psicólogos, equipes de atendimento humanizado, autoridades públicas, seguradoras, além de suporte funerário e logístico.

Desde o início, nosso cofundador, José Luiz Felício Filho, esteve à frente das ações, participando pessoalmente das reuniões com os familiares. Também apoiamos a participação das famílias na primeira reunião oficial com o CENIPA para a apresentação do relatório preliminar.

Temos atuado de forma transparente junto às autoridades públicas e seguimos empenhados na resolução das questões indenizatórias, já em estado bastante avançado. Mantemos o suporte psicológico ativo e continuamos apoiando homenagens realizadas pelas famílias ao longo deste ano. Nos solidarizamos com toda a forma de homenagem às vítimas do acidente.

Seguimos colaborando com as investigações em andamento, reafirmando nosso compromisso com a apuração dos fatos e contribuindo com a melhoria contínua nos processos de segurança da operação aérea. Continuamos caminhando com responsabilidade, humanidade e empatia. Nossa solidariedade permanece firme — com os familiares das vítimas, com toda sociedade brasileira.

6 – Qual é o posicionamento da Anac sobre os problemas de manutenção
Em nota, a Anac informou que desde agosto de 2024 acompanha os desdobramentos das investigações do Cenipa.

Quanto às denúncias sobre os problemas de manutenção da companhia, a agência informou que avalia o desempenho por meio de dados enviados constantemente pelos próprios operadores aéreos, incluindo interrupções mecânicas, indisponibilidade de aeronaves e outras dificuldades, e que essas informações são analisadas pela Anac por meio de auditorias presenciais e remotas.

“Todas as denúncias recebidas pela Anac seguem rito próprio de apuração de acordo com a legislação vigente, visando garantir a eficácia da ação. Por esse motivo, o processo apuratório demanda tempo de análise. Todavia, se ao final desse processo ficar comprovada qualquer infração às normas da aviação civil vigentes, serão aplicadas as devidas sanções aos responsáveis”, informou.
A Anac também informou que a aeronave envolvida no acidente estava em condições de operação e documentos de aeronavegabilidade válidos. “O voo contava com quatro tripulantes a bordo e todos estavam devidamente licenciados e com habilitações válidas.”

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