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Prefeitura do Maranhão alega ter deixado de pagar funcionários em razão do tarifaço; entenda

A Prefeitura de Pedro do Rosário, no interior do Maranhão, adiou o pagamento de valores retroativos devido a funcionários públicos. Segundo o ofício enviado pelo prefeito Domingos Erinaldo (PcdoB) ao sindicato dos servidores, a razão é o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil, que deve causar impactos orçamentários sobre as contas do município.
Em resposta, o Sindicato dos Trabalhadores da Administração e do Serviço Público Municipal (SINTASPMPR) argumenta que a cidade de 24 mil habitantes não exportou nenhum item em 2025, segundo dados do Monitor do Comércio Exterior Brasileiro. A prefeitura, entretanto, argumenta que o adiamento dos pagamentos é uma medida de precaução diante do cenário internacional incerto.
“Considerando ainda a possibilidade de queda da arrecadação federal e a diminuição nos valores dos repasses aos municípios, a municipalidade, por prudência, entendeu adiar o pagamento do retroativo dos servidores até que melhore o cenário internacional evitando o descumprimento do calendário do pagamento dos salários dos servidores públicos”, diz trecho do ofício.
Segundo a gestão, o aumento dos percentuais pagos nas exportações aos EUA deve diminuir a venda de produtos brasileiros. O movimento deve gerar uma queda na arrecadação de impostos da União e, assim, diminuir os repasses como Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Ambas as frentes são fontes importantes para o orçamento municipal.
Em nota, o SINTASPMPR criticou a justificativa e a classificou como “um insulto à inteligência” dos servidores. Para o sindicato, não há relação entre a nova política tarifária dos Estados Unidos e a execução da folha de pagamento da prefeitura. Por isso, a desculpa pode estar escondendo problemas orçamentários e de gestão, além de desequilíbrio fiscal.
O Terra tentou contato com a Prefeitura de Pedro do Rosário, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
