Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
RIO BRANCO
Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

CIDADES

Empresário que matou gari escreve carta e chama crime de ‘acidente’

Publicado em

Renê da Silva Nogueira Junior está preso preventivamente por suspeita de ter matado a tiros um gari durante uma discussão de trânsito Foto: Reprodução/Redes Sociais

O empresário René Nogueira Júnior, que está preso por matar o gari Laudemir Fernandes com um tiro em Belo Horizonte, Minas Gerais, divulgou uma carta em que chama o homicídio de “acidente”. Na carta, ele ainda esclarece um desentendimento envolvendo seus advogados, após trocar duas vezes sua equipe de defesa.

O Terra teve acesso à carta, que foi juntada ao processo nesta terça-feira, 26. A mensagem foi escrita à mão por René.

Continua depois da publicidade

“O que aconteceu foi um acidente com a vítima e me sinto bem representado, tanto pelo Dr. Dracon, como pelo Dr. Bruno Rodrigues. Tenho certeza que resolveremos esse mal-entendido”, escreveu René.

Na carta, o empresário volta atrás após destituir o advogado Dracon Cavalcante de sua defesa. Antes de confessar o crime contra o gari, a primeira equipe contratada para defender René anunciou que deixaria o caso.

Continua depois da publicidade

Atualmente, o empresário é representado pelos dois advogados que são citados na carta, Bruno Rodrigues e Dracon Cavalcante. Ao Terra, Rodrigues informou que “a defesa de René só irá se manifestar por nota após a conclusão do inquérito policial e oferecimento da denúncia”.

Leia a íntegra da carta de René:

“Eu, René da Silva Nogueira Junior, tinha dado a autorização para o dr. Dracon via procuração para me defender no meu nome. Gostaria de reforçar que acredito no trabalho do mesmo e reforço a necessidade que meus advogados trabalhem em parceria. O que aconteceu foi um acidente com a vítima e me sinto bem representado tanto pelo dr. Dracon como pelo dr. Bruno Rodrigues. Tenho certeza que resolveremos esse mal entendido. Pedi do mesmo para não sair do meu caso. Que Deus abençõe”, diz a carta, assinada por René, e datada desta segunda-feira, 25.

Continua depois da publicidade

O que diz a defesa da família de Laudemir Fernandes

Ao Terra, o advogado Tiago Lenoir, que faz a defesa da família do gari Laudemir Fernandes, considerou desrespeito tratar o homicídio como um “acidente”. Leia o posicionamento.

Continua depois da publicidade

“Como advogado da família do gari Laudemir, considero absurda e desrespeitosa a tentativa deste indivíduo de classificar o crime como um mero ‘acidente’.

Desde a prisão em flagrante, as provas colhidas apontam para um homicídio hediondo, qualificado pela futilidade da discussão de trânsito e pelo disparo inesperado que impossibilitou qualquer reação ou defesa da vítima, um trabalhador que apenas exercia sua função no momento em que foi brutalmente executado.

Reforço que não descansarei enquanto este cidadão não for indiciado, denunciado, processado, pronunciado, levado a júri popular e condenado a uma pena exemplar, compatível com a gravidade de sua conduta.

Continua depois da publicidade

Também será exigido que todos os envolvidos respondam pelos danos irreparáveis causados à sociedade e à família de Laudemir.

Estou atento a todas as narrativas feitas por ele e irei auxiliar o Ministério Público até o fim deste processo.”

Entenda o caso

René da Silva Nogueira Junior foi preso em flagrante no dia 11 de agosto, em uma academia de Belo Horizonte. Por volta das 9h daquele dia, no bairro Vista Alegre, a Polícia Militar foi acionada para atender a uma ocorrência de homicídio decorrente de uma discussão de trânsito. O gari Laudemir de Souza Fernandes foi encontrado ferido e foi socorrido para o Hospital Santa Rita, em Contagem, onde o óbito foi constatado.

Continua depois da publicidade

Por câmeras de segurança e pela descrição dada pelas testemunhas, a PM chegou ao nome do empresário René, que foi preso horas depois do crime, em posse do mesmo veículo envolvido na ocorrência.

Em audiência de custódia, no dia 13, o juiz Leonardo Vieira Rocha Damasceno decidiu por manter René preso preventivamente. Ele considerou que há diversos elementos que fundamentam a legalidade da prisão de René, apesar do empresário ter negado o crime até aqui.

Os policiais encontraram no local do homicídio uma munição intacta e uma deflagrada, ambas de calibre .380. Posteriormente, René admitiu que sua esposa possui uma pistola do mesmo calibre. A arma foi apreendida na residência do casal.

O juiz afirma que mesmo sendo réu primário, a prisão preventiva se justifica para garantia da ordem pública, pela gravidade do delito e pela forma como o empresário teria agido. Ele considerou que René agiu de forma desproporcional e fria.

O magistrado também frisou o relato das testemunhas de que René teria deixado o carregador da arma cair e, ainda assim, se abaixou para pegá-lo, o reinseriu na arma e a manejou novamente. “O que demonstra que não foi um ato de impulso momentâneo, mas uma decisão consciente e voluntária de usar a violência, com a finalidade de ceifar a vida alheia”, destacou na decisão.

 

Continua depois da publicidade
Propaganda
Advertisement