POLÍCIA
Tribunal do Júri em Rio Branco determina pena severa para homicida em caso de justiça com as próprias mãos

Rio Branco, AC – Em um julgamento que atraiu grande atenção na capital acreana, o Tribunal do Júri da 2ª Vara Criminal condenou Ádisson Lima da Silva a 16 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pelo brutal assassinato de Francisco da Silva Andrade, conhecido na região como “Pente Fino”. A decisão, proferida na última terça-feira (26), encerra um caso que expõe a complexidade das relações sociais e a linha tênue entre justiça e vingança.
O crime, ocorrido na madrugada de 1º de outubro de 2023, no bairro Wanderley Dantas, chocou a comunidade local. Segundo a denúncia apresentada ao tribunal, Francisco da Silva Andrade teria tomado à força o celular de uma pessoa com deficiência física, um ato que desencadeou a fúria de Ádisson Lima da Silva. Em um momento de extrema violência, Ádisson desferiu seis facadas contra Francisco e, não satisfeito, utilizou um bloco de cimento para golpear sua cabeça, resultando em morte imediata.
O juiz Álesson Braz, responsável pela sentença, destacou a gravidade do crime, ressaltando que a ação de Ádisson, embora motivada por um senso de justiça, ultrapassou os limites da lei e resultou em uma tragédia irreparável. “A justiça, quando feita com as próprias mãos, invariavelmente descamba para a barbárie”, afirmou o magistrado durante a leitura da sentença.
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foram cruciais para elucidar os detalhes do crime. Ádisson foi preso em flagrante logo após o ocorrido, juntamente com outro suspeito, que posteriormente foi liberado por falta de provas. Desde então, o réu aguardava o julgamento no Complexo Penitenciário de Rio Branco.
A decisão do Conselho de Sentença reflete o entendimento da sociedade acreana sobre a necessidade de punir atos de violência extrema, ao mesmo tempo em que levanta um debate sobre os limites da justiça individual e a importância do sistema legal como único meio legítimo de resolução de conflitos. Ádisson Lima da Silva deverá cumprir a pena integralmente em regime fechado no presídio da capital, onde aguardará a progressão da pena conforme a legislação vigente.
