RIO BRANCO
Moradores de bairros em Rio Branco sofrem com falta d’água há uma semana; SAERB justifica problema com turbidez elevada

Rio Branco, AC – Residentes dos bairros Tucumã, Mocinha Magalhães, Rui Lino (1, 2 e 3) e Joafra, em Rio Branco, estão enfrentando um grave problema de desabastecimento de água há sete dias. A prolongada falta d’água tem gerado inúmeras reclamações, especialmente entre famílias de baixa renda que não têm condições de arcar com os custos de um caminhão-pipa.
De acordo com relatos dos moradores, o abastecimento, que antes ocorria a cada três dias, foi interrompido desde a última quinta-feira. Dona Maria Oliveira, moradora do Mocinha Magalhães há mais de sete anos, afirma que a situação é recorrente, mas que a atual crise é a mais longa que já enfrentou. “Sempre falta, mas agora está demais. Quase sete dias sem água. Temos muitas coisas para fazer e pouca água”, desabafa.
Em resposta às reclamações, o presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (SAERB), Enoque Pereira, explicou que a interrupção no abastecimento é resultado da necessidade de reduzir a vazão devido ao aumento da turbidez da água após as recentes chuvas. Segundo ele, em condições normais, a vazão atinge 1.600 litros por segundo, mas foi preciso diminuir para 1.300 litros por segundo.
“A gente teve que reduzir a vazão em detrimento da turbidez desde sexta-feira, que se mantém alta demais. Na sexta, chegou à maior marca desde 2022, com 3.850 de turbidez — em 2022, havia chegado a 4.000. Não tivemos escolha. Reduzimos a vazão duas vezes, chegando a cerca de 20% de redução para evitar que a água chegasse suja”, justificou Enoque.
O presidente do SAERB detalhou que, na Estação de Tratamento de Água (ETA) 2, responsável pelo tratamento da água da região da Bio-Tabu, a vazão estava em 850 litros por segundo. A equipe tentou aumentar para 900 ou 920, mas a medida resultou em alteração na qualidade da água. “Quando começa a sujar, precisamos parar o sistema para limpar. Ontem mesmo tivemos que suspender o tratamento por cerca de uma hora para restabelecer a qualidade”, explicou.
Enoque informou que a turbidez permanece acima de 800, o que impede o funcionamento pleno das estações. “Tem áreas em que abastecemos por quatro ou cinco horas contínuas. Agora, temos que reduzir para três ou três horas e meia. É possível que algumas pessoas fiquem sem água”, reconheceu.
O presidente do SAERB também alertou para o problema do desperdício de água, que agrava a situação. “Muita gente desperdiça água. O vizinho da frente não vai conseguir pegar água se quem recebe não tiver o cuidado de fechar o registro ou usar boia na caixa d’água. Sempre pedimos isso.”
Enoque explicou que períodos de alta turbidez são comuns nesta época do ano, mas que a situação atual é particularmente crítica. “Normalmente, a turbidez alta dura dois ou três dias. Em setembro, foram nove dias seguidos. Agora, estamos desde sexta-feira — já são cinco dias consecutivos. Não tem o que fazer: precisamos baixar a vazão. Mas estamos monitorando para identificar o momento certo de aumentá-la novamente e restabelecer a normalidade”, concluiu.









