Um cachorro, da raça pug, morreu cerca de 6 horas depois de ser deixado em um hotel e creche pet, em Santos, no litoral de São Paulo. Ao Terra, a tutora de Bucky informou que ele era saudável e estava bem quando foi entregue ao estabelecimento, mas foi levado para uma clínica veterinária em hipertermia –quando a temperatura corporal está elevada.
O caso ocorreu na última segunda-feira, 12, quando a engenheira eletricista Rosana Gemignani Cardoso, de 55 anos, e a família fariam uma viagem internacional. O pet foi deixado no início da tarde no Clube Auau, localizado no bairro Paquetá, para ficar 18 dias.
Em nota, o estabelecimento afirmou que o animal teve um mal súbito, por volta das 17h30, e a equipe iniciou os primeiros socorros com procedimentos de resfriamento e o encaminhou ao atendimento veterinário urgente em clínica próxima ao local.
A engenheira eletricista Rosana Gemignani Cardoso, de 55 anos, contou que estava com Bucky há seis anos. Ele era o suporte emocional da filha com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e, por ser braquicefálico, o animal precisava de cuidados redobrados por causa das altas temperaturas.
Dessa vez, as pessoas de confiança que geralmente ficavam com o cão não puderam hospedá-lo. Com isso, ela optou por deixá-lo no hotel de pet após ler as avaliações positivas sobre o estabelecimento.
O pug fez a adaptação de um dia, em 8 de janeiro, e tudo correu bem. “Ela [atendente do hotel] me falou que, em caso de muito calor, eles levam esses cachorrinhos que têm dificuldade para o ar-condicionado”, afirmou ao mencionar que o local dizia ter condições para lidar com altas temperaturas, como brincadeiras na água para refrescar. Ela pagou pela hospedagem R$ 2.500.
O que aconteceu
Bucky foi deixado no local por volta de 12h, e a família seguiu rumo a São Paulo. Ao longo do dia, a engenheira recebeu foto do animal feliz, com outros cachorros. Por volta das 17h, uma funcionária mandou um áudio dizendo que o cachorro estava “molinho” e espumando pela boca.
“Puseram uma toalha de água gelada, fizeram todos os procedimentos, que eu não sei quais foram, não sei quanto tempo decorreu. O estado em que ele chegou no veterinário, na clínica, foi praticamente morto”, afirma.
Segundo o laudo ao qual a reportagem teve acesso, Bucky chegou com o quadro de:
Rebaixamento de consciência;
Decúbito lateral (deixado de lado);
Ausência de reflexos motores;
Taquicardia;
Taquipneia;
Náuseas com mímica de vômito;
Temperatura corporal elevada (40,7ºC);
Pressão arterial sistólica baixa.
A avaliação clínica constatou ainda que ele estava em hipertermia grave por falência do mecanismo de termorregulação e optou pela internação do cachorro. No local, foi realizado o resfriamento ativo controlado, oxigenioterapia e medicação para reverter o quadro. No entanto, às 18h20, o quadro do animal evoluiu para uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
Família quer justiça
Durante todo o período na clínica, Rosana perguntava sobre seu cachorro, mas a resposta era que os batimentos cardíacos estavam normais. A tutora chegou a falar com o dono do estabelecimento e foi tranquilizada. “Como, em ritmo cardíaco normal, o cachorro morre?”, questiona. Diante da situação extrema, ela decidiu cancelar a viagem e voltar para a Baixada Santista.
Ela também pediu para que a veterinária que acompanha Bucky falasse com a profissional da clínica para saber o que estava ocorrendo de fato, e teve a resposta que não esperava: “‘O estado do Bucky não é bom’. Ela não precisou dizer mais nada para mim, eu já conheço essa veterinária e para ela falar isso, eu sabia que meu cachorro tinha morrido”, relembra.
“O mais duro foi ver meu cachorrinho morto. Eu confiei neles. Nunca tinha confiado em ninguém estranho, nunca. Foi a primeira vez”, desabafa.
A morte do animal de estimação causou o cancelamento da viagem em família para comemorar a cura de Rosana de um câncer e provocou crises da filha da engenheira. A menina precisou ser medicada.
No momento, Rosana cobra explicações e quer saber se seu cachorro foi atendido no hotel da maneira correta, se ele foi levado para o ar-condicionado, pois, segundo retorno, Bucky foi colocado, enrolado em uma toalha molhada, na frente de um ventilador.
O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos no mesmo dia. A família disse que vai seguir com os trâmites judiciários. A reportagem solicitou à Secretaria de Segurança Pública (SSP) informações sobre o registro, mas a pasta não o localizou.
Com a palavra, Clube Auau
“O Clube Auau vem a público esclarecer, com profundo pesar, os fatos relacionados ao falecimento do cão Bucky, ocorrido no dia 12 de janeiro.
Conhecemos o Bucky no dia 8 de janeiro, quando iniciou sua adaptação no clube em que esteve o dia inteiro participando da rotina do clube com interações e descanso, além de ficar no mesmo ambiente em que esteve no dia do ocorrido, sem qualquer intercorrência.
No dia 12 de janeiro, Bucky deu entrada ao meio-dia. Ao longo da tarde, realizou suas atividades habituais: foi ao quintal coberto, brincou, alimentou-se, descansou e interagiu com outros cachorros. Devido às altas temperaturas que atingem a região, o ambiente contava com medidas preventivas padrão adotadas pela empresa, incluindo dois ventiladores ligados, esguichos de água nas paredes e o chão constantemente molhado, visando a redução do calor e o conforto térmico dos animais.
Ocorre que, por volta das 17h30, Bucky apresentou um mal súbito, que foi detectado pela equipe que agiu imediatamente iniciando os primeiros socorros com procedimentos de resfriamento do Bucky e encaminhamento urgente ao atendimento veterinário em clínica próxima ao clube. O animal chegou à clínica às 17h50 onde já teve atendimento emergencial e todos os protocolos médicos foram realizados, porém, infelizmente, veio a óbito.
O clube Auau atua há quase uma década no cuidado diário de cães, atendendo cerca de 50 animais por dia, incluindo diversos cães braquicefálicos, e nunca havia registrado ocorrência semelhante. Ressaltamos que, no mesmo dia, haviam outros animais que permaneceram no mesmo local, sob as mesmas condições ambientais e de manejo, e todos se encontram bem e saudáveis.
Lamentamos profundamente a perda de Bucky e nos solidarizamos com seus tutores neste momento de dor. A empresa permanece à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários e reforça seu compromisso com o bem-estar, a segurança e o cuidado responsável de todos os animais sob sua responsabilidade”.









