RIO BRANCO (AC) — Com o Rio Acre já acima da cota de transbordamento (14 metros) e em constante elevação, a Prefeitura de Rio Branco mobilizou uma operação conjunta com 28 órgãos para atender à população ribeirinha e preparar-se para possíveis desalojamentos. O coordenador da Defesa Civil da capital acreana, tenente-coronel Cláudio Falcão, afirmou em entrevista ao ac24horas Play nesta sexta-feira (16) que a água deve continuar subindo nos próximos dias, com previsão de atingir até 15 metros até o fim de semana.
O crescimento do rio é impulsionado por grandes volumes de água vindos das cabeceiras, de afluentes dentro do município — como o riozinho do Rola — e por contribuições de municípios vizinhos como Brasiléia, Xapuri e Capixaba. “Não conseguimos precisar até quando o nível pode subir, mas já temos pedidos de remoção de famílias”, explicou Falcão, acrescentando que a subida tem ocorrido a uma média de 1 a 1,5 centímetro por hora.
Com o cenário preocupante, o Parque de Exposições foi habilitado como abrigo temporário para famílias desabrigadas. Equipes da prefeitura, juntamente com o Corpo de Bombeiros, estão em campo prestando atendimento e monitorando as áreas mais vulneráveis.
Apesar de ter registrado 43 milímetros de chuva na quinta-feira (15) em curto espaço de tempo, a capital não enfrentou transbordamento de igarapés nem teve registros de famílias afetadas por esse evento. “Os igarapés encheram, fizemos vistorias e monitoramento, mas não constatamos ocorrências ou casas atingidas”, detalhou o coordenador.
Falcão destacou ainda que a ocorrência de cheias em janeiro é incomum na história de Rio Branco. Dos 45 eventos registrados ao longo dos anos, apenas 13% aconteceram no primeiro mês do ano. “O mais comum é que as cheias aconteçam em fevereiro e março, especialmente em fevereiro. Em 2026, o fenômeno se antecipou”, pontuou.
Além da Defesa Civil, a operação conta com o envolvimento de secretarias municipais, autarquias, Saerb e Emurb, que trabalham em conjunto para garantir que o aumento do nível do rio ocorra de forma gradual, possibilitando tempo hábil para as ações de atendimento e prevenção.









