RIO BRANCO (AC), 20 de janeiro de 2026 — O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, formalizado no último sábado (17) em Assunção, no Paraguai, é celebrado pelo governo do Acre como um marco histórico que abre novas fronteiras para a economia estadual. Com a redução de tarifas de importação para zero ou até 5% em média, o tratado integra dois dos maiores blocos econômicos globais — somando cerca de 720 milhões de pessoas e PIB superior a US$ 22 trilhões — e coloca o estado em posição de destaque para ampliar suas exportações.
Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que em 2025 as vendas de produtos acreanos para o continente europeu já somavam aproximadamente US$ 11 milhões, com destaque para operações com Espanha, Itália, França, Alemanha, Portugal, Holanda, Bélgica e Reino Unido. A Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict) projeta que o acordo não só aumentará o fluxo de negócios com esses países, mas também permitirá o acesso a novos mercados e a inclusão de novas linhas produtivas.
Setores com maior potencial de crescimento
Entre as produções que devem ganhar competitividade estão a castanha-do-brasil, o café, as carnes bovina e suína, além da madeira proveniente de manejo florestal. Com a queda das barreiras alfandegárias, espera-se fortalecer as cadeias produtivas locais, com maior processamento industrial e agregação de valor aos produtos.
Outro ponto estratégico é a bioeconomia, área na qual o Acre possui reconhecida vocação. O mercado europeu demanda cada vez mais itens sustentáveis, de origem florestal e com comprovação ambiental — como óleos vegetais, extratos naturais e insumos para as indústrias cosmética, farmacêutica e alimentícia — e o acordo amplia as possibilidades de consolidação do estado nesse segmento.
“Momento de planejamento e preparo”, diz secretário
Para o titular da Seict, Assurbanípal Mesquita, a celebração do tratado deve ser acompanhada de ações estruturais para que o Acre possa se destacar em um dos mercados mais exigentes do mundo. “Mais do que ampliar horizontes comerciais, esse acordo exige qualificação da produção, adequação a padrões internacionais e organização das cadeias produtivas. É preciso planejar, estruturar e posicionar o estado para essa nova fase”, afirma.
O gestor ressalta que os impactos positivos vão além do ambiente empresarial. “A ampliação das exportações pode gerar mais empregos, renda no campo e na cidade, fortalecer cooperativas e estimular a industrialização local. Isso reflete diretamente no cotidiano da população acreana, com mais oportunidades de desenvolvimento regional”, destaca Mesquita.
Ele avalia ainda que o acordo cria condições favoráveis para atração de investimentos internacionais e crescimento do setor industrial, já que o aumento da demanda exigirá maior processamento dos produtos. “Com menos barreiras e mais previsibilidade, produtores e indústrias ganham segurança para investir e gerar resultados concretos para o estado”, argumenta.
A implementação do acordo será gradual, e o governo estadual enfatiza que esse período é essencial para que o Acre se prepare, prospecte novos mercados e qualifique sua oferta. A expectativa é transformar o tratado em avanços reais para a economia e novas perspectivas de vida para a população.

Foto: cedida/Secretário Assurbanípal Mesquita destaca que o acordo pode impulsionar emprego e renda no Acre









