A reunião ocorreu em meio a um esforço diplomático intensificado nas últimas semanas, após sinais de avanço nas negociações de paz, embora as disputas territoriais sigam como o principal ponto de impasse entre as partes.
Segundo Witkoff, o encontro foi solicitado pelo próprio governo russo. “Os russos nos convidaram para vir. E isso é uma declaração significativa da parte deles”, afirmou.
Zelensky pronto para paz
Enquanto a reunião acontecia no Kremlin, Donald Trump, afirmou durante coletiva, que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, estaria disposto a aceitar os termos de um acordo de paz para encerrar a guerra na Ucrânia.
Na declaração, Trump não detalhou o acordo, limitando-se a afirmar que os “parâmetros já são conhecidos”. O principal entrave, até o momento, segue sendo a resistência de Zelensky a aceitar concessões territoriais à Rússia.
A avaliação do republicano, no entanto, diverge da leitura de integrantes diretamente envolvidos nas negociações.
Antes do encontro com Putin, o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, afirmou que as tratativas chegaram a um ponto específico de impasse, sem detalhar qual seria.
“Se ambos os lados quiserem resolver isso, vamos resolver. Acho que já fizemos muitos progressos e conseguimos reduzir o problema a uma única questão”, disse.
Territórios como obstáculo
- A Rússia exige que a Ucrânia abandone oficialmente as reivindicações sobre Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye — regiões que passaram ao controle russo em 2022 após referendos não reconhecidos internacionalmente.
- Kiev rejeita reconhecer os territórios como parte da Rússia.
- Zelensky mantém a posição oficial ucraniana, embora tenha admitido, no mês passado, a possibilidade de um referendo interno sobre eventuais concessões territoriais — hipótese que ainda enfrenta forte resistência política no país.
Zelensky afirmou ainda que um primeiro encontro trilateral entre Ucrânia, Estados Unidos e Rússia pode ocorrer nos próximos dias, nos Emirados Árabes Unidos.
A proposta de negociações com os três países à mesa tem sido uma das apostas de Trump para encerrar o conflito. Moscou, por sua vez, diz não se opor a uma reunião direta entre Putin e Zelensky, mas sustenta que um encontro desse nível só deve ocorrer após avanços concretos no processo de paz.