A corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, gravou um vídeo pouco antes de ser atacada no subsolo do prédio onde morava, em Caldas Novas, Goiás. Nas imagens recuperadas pela investigação e que vieram a público nesta quinta-feira (19/2), ela aparece descendo para verificar uma queda de energia em seu apartamento e acaba encontrando o síndico do condomínio, Cleber Rosa.
No registro feito com o celular, Daiane narra o que estava acontecendo enquanto caminhava pelo local onde ficam os quadros de energia do prédio. Em determinado momento, ao ver o síndico, ela comenta: “Ah, olha quem eu encontro”.
“Bom, cheguei na recepção, a Equatorial não veio cortar [a energia], claro que tá pago. Agora eu vou descer lá embaixo pra ver se o disjuntor está desligado. Vou apertar aqui e vou gravar. Vou atrás do disjuntor do 402 e a gente vai filmar. Ah, olha quem eu encontro [momento em que Daiane vê o síndico].
Daiane, então, prossegue: “Acabei de perder minha energia no 402. Vamos lá. Vamos ver se essa brincadeira tá continuando. Vamos ver. Vamos achar aqui… 409, 404, não sei se o 402 tá aqui, mas o síndico tá aqui embaixo, isso eu sei. Acho que o 402 fica aqui. Vamos lá ver se tem alguém brincando de desligar as coisas”.
Foram as últimas palavras da corretora antes de ser atacada por Cleber. Em seguida, ouve-se apenas gritos.
Segundo a investigação da Polícia Civil de Goiás, Cleber Rosa usava luvas e estava encapuzado no momento do ataque. O carro dele estava estacionado próximo aos quadros de energia e com a capota aberta. De acordo com a polícia, ele a atacou por trás. O celular de Daiane foi encontrado posteriormente na tubulação de esgoto do prédio.
Desaparecimento e investigação
Daiane desapareceu em 17 de dezembro, após descer ao subsolo do condomínio para verificar a falta de energia no apartamento onde morava. Antes disso, ela havia sido vista entrando no elevador, passando pela portaria e conversando com o recepcionista sobre o problema, conforme registros das câmeras de segurança.
Depois de retornar ao elevador e descer novamente, não houve mais imagens dela saindo do prédio ou voltando ao apartamento. A situação levantou dúvidas sobre o paradeiro da corretora e mobilizou buscas.
Natural de Uberlândia, Daiane vivia em Caldas Novas havia cerca de dois anos e administrava seis apartamentos da família no condomínio. No dia seguinte ao desaparecimento, ela tinha um encontro marcado com a mãe para tratar das locações dos imóveis durante o fim de ano, mas não apareceu. Um boletim de ocorrência foi registrado naquela noite.
Familiares também informaram que a corretora deixou a porta do apartamento aberta ao sair, como mostrado nos vídeos enviados à amiga, indicando que pretendia voltar rapidamente. Quando a família chegou ao local, no entanto, a porta estava trancada. A polícia quebrou o sigilo bancário da vítima e verificou que não houve movimentações financeiras após o desaparecimento. Buscas foram feitas na região do prédio, sem novos sinais do celular.
Corpo foi localizado semanas depois
O corpo de Daiane foi encontrado pela Polícia Civil em 28 de janeiro, 43 dias após o desaparecimento, em uma área de mata na cidade. Segundo a investigação, o próprio síndico indicou o local onde havia deixado o corpo, que estava em avançado estado de decomposição.
Em depoimento, Cleber afirmou que matou a corretora após uma discussão no subsolo do prédio, no mesmo dia em que ela foi vista pela última vez. Ele disse à polícia que agiu sozinho e que, depois do crime, colocou o corpo na carroceria de sua picape antes de deixar o condomínio.
De acordo com a polícia, o caso é tratado como um homicídio premeditado e cometido por motivo torpe. Cleber deverá responder por homicídio triplamente qualificado. Antes do desaparecimento, a vítima e o síndico já trocavam denúncias desde 2024, o que resultou em registros formais entre as partes.









