Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) instaurou um procedimento de investigação criminal para apurar as circunstâncias da morte de Nadir Nazaré Gomes de Souza, ocorrida em 22 de janeiro, após o idoso receber atendimento no pronto-atendimento da Unimed, na capital acreana.
A medida foi oficializada pela Portaria nº 0001/2026/10PJCR/CAP, assinada pelo promotor de Justiça Ildon Maximiano Peres Neto, com respaldo no artigo 129 da Constituição Federal e na Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei nº 8.625/93). O processo foi registrado sob o número 06.2026.00000098-7.
De acordo com o documento, há indícios de que a paciente teve “excessiva aplicação de sódio” durante o atendimento – fato registrado nos prontuários médicos encaminhados à promotoria. A certidão de óbito indica como causa mortis um distúrbio hidroeletrolítico, condição que pode estar relacionada a níveis elevados do mineral no organismo.
A investigação também conta com o parecer de um médico contratado pela família, Dr. Mardelson Nery de Souza, além de depoimentos de parentes que levantam questionamentos sobre o cuidado prestado. Com base nos elementos reunidos na notícia de fato nº 01.2026.00000354-0, o MP entende que há indícios de crime e não descarta, em análise inicial, a possibilidade de homicídio com dolo eventual – quando o agente assume o risco de produzir o resultado fatal.
Diversas medidas foram determinadas para apurar o caso: solicitação ao Instituto Médico-Legal de laudo cadavérico indireto com base na documentação médica; notificação do Dr. Mardelson Nery para depor; oitiva do Dr. Warley Geurra, além de técnicas, enfermeiras e os médicos Dr. Cláudio Pinheiro da Silva Júnior e Dra. Moniky Silva de Souza envolvidos no atendimento. A Unimed também foi notificada para informar a qualificação completa de um enfermeiro identificado como Vinícius em relatório interno e realizar levantamento de outras ocorrências com características semelhantes.
O procedimento será registrado em uma das Varas do Tribunal do Júri de Rio Branco para acompanhamento das investigações. Cópia do processo também foi encaminhada à Promotoria Especializada da Saúde para análise sob a perspectiva da tutela sanitária.






