O Rio Acre já não representa mais um obstáculo para os moradores do bairro conhecido como Sibéria, em Xapuri. Inaugurada em novembro do ano passado, a Ponte da Sibéria mudou para sempre a rotina da população local, que deixou para trás as dificuldades da era da catraia e das longas filas na balsa. A relevância da obra foi destaque em uma reportagem que teve entrada ao vivo realizada diretamente sobre uma embarcação do Governo do Estado, com prévia dos depoimentos mais marcantes divulgada nesta segunda-feira (23).
O responsável pela cobertura explicou que o objetivo da matéria — que vai ao ar na íntegra no próximo domingo (29) — é mostrar como a infraestrutura transformou a vida da comunidade. “A ponte tem uma importância tremenda para essa região”, afirmou durante a transmissão ao vivo, com a estrutura de quase 440 metros de extensão ao fundo da imagem.
Com investimento de aproximadamente R$ 47 milhões, parte dos recursos provenientes de emenda parlamentar do senador Marcio Bittar (PL), a obra beneficia diretamente mais de 20 mil pessoas que vivem ou dependem das ligações entre o bairro Sibéria e o centro de Xapuri.
“A sucuri ainda comia a gente”: tempos difíceis da catraia
O morador Anísio relembrou com bom humor os desafios da época em que a única opção de travessia era a catraia. “No tempo da catraia a gente podia cair na água e ainda pagava R$ 3,00 — e a sucuri ainda comia a gente! Agora na ponte é alta, ela não rende nem a metade do caminho da viagem. Eu gostei da ponte, não foi só eu, todo mundo gostou”, destacou.
Maurício Amorim também contou sobre os transtornos enfrentados antes da construção da estrutura. “Antes da ponte era uma dificuldade muito grande. A gente atravessava em catraia, depois o governo colocou uma balsa que ajudou bastante, mas fazia filas de gente na beira pra atravessar — de carro, de tudo. Tinha congestionamentos e situações de risco todos os dias”, lembrou. Para ele, a obra foi “maravilhosa pro povo de Xapuri”.
Vidas salvas: fim das restrições noturnas
Francisca Viana ressaltou como a falta de acesso seguro afetava especialmente quem precisava se deslocar após o anoitecer. “Muito difícil o acesso pra quem mora aqui na Sibéria. A catraia nem sempre funcionava, havia muita espera. Teve casos até de vidas a óbito ali no porto, porque não havia travessias depois da meia-noite. Aconteceram muitos casos”, relatou, destacando que a ponte acabou com essas limitações.






