Comemorado no último domingo (22) o Dia Mundial da Água – data instituída pela ONU em 1992 para alertar sobre a preservação dos recursos hídricos – um novo estudo nacional aponta o Acre entre os estados com os piores indicadores de eficiência no saneamento básico do Brasil. O levantamento “Estudo de Perdas de Água 2025”, realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associad
os e baseado em dados do SINISA de 2023, mostra que o país desperdiça 40,31% da água tratada antes de chegar às torneiras, mas no estado a cifra chega a 62,25%.
O percentual acreano está bem acima da média nacional e coloca o estado ao lado de Alagoas (69,86%), Roraima (62,51%) e Pará (58,71%) como os quatro menos eficientes do país. O estudo destaca que as maiores ineficiências se concentram nas regiões Norte e Nordeste, em contraste com estados como Goiás (25,68%), Distrito Federal (31,46%), São Paulo (32,66%) e Paraná (33,11%), que mantêm índices abaixo de 35%.
Além das perdas na distribuição, o Acre também apresenta um dos piores desempenhos no Índice de Perdas por Ligação, que mede o volume perdido por ponto de consumo ativo. O estado registra 1.001,04 litros por ligação por dia – quase três vezes mais do que a média brasileira de 348,86 litros. Apenas Amapá (1.057,73 L/lig/dia) e Roraima (933,03 L/lig/dia) apresentam índices similares ou superiores, enquanto Goiás (124,25 L/lig/dia), Tocantins (178,81 L/lig/dia) e Paraná (221,97 L/lig/dia) lideram a eficiência nessa categoria.
De acordo com o relatório, os dados refletem desigualdades regionais persistentes em infraestrutura, capacidade de investimento e gestão operacional das companhias de saneamento. Estados como o Acre, que combinam altos índices em ambas as métricas, enfrentam riscos maiores de intermitência no abastecimento, pressão sobre os mananciais e necessitam de investimentos mais significativos para recuperar a eficiência dos sistemas.
No cenário internacional, o Brasil também apresenta desempenho aquém do esperado: enquanto países desenvolvidos têm média de perdas em torno de 15%, conforme dados do Banco Mundial, o país registrou 40,31% em 2023. Nos últimos anos, a evolução foi tímida: entre 2019 e 2023, o índice nacional de perdas na distribuição subiu de 39,24% para 40,31%, distante da meta de 25% estabelecida. Já as perdas por ligação aumentaram de 339,48 para 348,86 litros por dia, também acima da meta federal de 216 litros.















