Após dois feminicídios em 24h, Acre envia força-tarefa a Feijó e pede estudo para entender causa da violência

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Após dois feminicídios em 24h, Acre envia força-tarefa a Feijó e pede estudo para entender causa da violência

Dois feminicídios seguidos chocaram o Acre e acenderam o sinal de alerta máximo na segurança pública. Diante da escalada da violência contra mulheres — especialmente em Feijó, no interior do estado — a Polícia Militar deslocará equipes especializadas de Rio Branco para atuar no município a partir de segunda-feira (13). A medida inclui também a solicitação de um estudo antropológico e sociológico para compreender por que a região concentra números tão altos.

Os crimes que motivaram a ação

No dia 5 de julho, em Cruzeiro do Sul, Aldemir Abreu de Oliveira, de 44 anos, matou a ex-companheira Juliana Barboza Cerqueira, também de 44, a golpes de faca no Ramal Japãozinho, antes de se suicidar. O autor descumpria medida protetiva e monitorava a rotina da vítima.

Menos de 24 horas depois, no trecho entre Manoel Urbano e Feijó, o bombeiro militar da reserva Osmar Pinheiro da Silva, de 58 anos, assassinou a esposa Maria Ferreira da Silva Almeida, de 49, em casa — na presença da filha adolescente — e depois se matou. A suspeita principal é de crime motivado por ciúmes.

Para a comandante-geral da PM, coronel Marta Renata, os dados de Feijó e da região Tarauacá/Envira são desproporcionais: “Apesar de ser uma regional pequena, os números de violência doméstica e crimes sexuais se aproximam dos da capital. Não basta reforçar rondas: precisamos entender a dinâmica cultural e social desses casos”, explicou em entrevista.

O que fará a força-tarefa

Durante uma semana, atuarão em Feijó equipes da Patrulha Maria da Penha, Polícia Comunitária e forças especializadas. A programação inclui:

-Verificação rigorosa de medidas protetivas;
-Visitas domiciliares e busca ativa de vítimas;
-Ações educativas nas comunidades;
-Análise detalhada dos registros criminais;
-Operações repressivas se necessário.

Violência invisível e busca ativa

A comandante lembra que muitos casos não chegam às estatísticas por isolamento rural, distância e dificuldade de comunicação. Mesmo quando a vítima desiste de registrar ocorrência no primeiro contato, a polícia mantém o endereço em monitoramento e retorna posteriormente, para abrir espaço de confiança e incentivar a denúncia.

Cenário estadual

Dados do Sinesp indicam que mais de 156 mulheres foram vítimas de feminicídio no Acre desde 2015 — sem contar os dois últimos casos. O estudo solicitado deve entregar subsídios para criar políticas que vão além da punição, visando romper o ciclo de violência na raiz.

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