Desde a última sexta‑feira (10), a professora Laelia Occhi vive uma situação aflitiva em Brasília. Ela e a filha Kelen Regina Muniz Occhi, de 30 anos, continuam na capital federal mesmo depois que a jovem recebeu alta na Rede Sarah de Reabilitação — faltam as passagens de volta emitidas pelo Tratamento Fora do Domicílio (TFD).
Laelia conta que entregou toda a documentação logo ao receber a alta, na quinta‑feira (9). A princípio, disseram que o sistema usado para liberar os bilhetes estava fora de operação.
Kelen é acompanhada pela Rede Sarah desde os seis anos. Tem sequelas de mielomeningocele lombar alta corrigida cirurgicamente, hidrocefalia controlada por derivação, paraplegia flácida, além de bexiga e intestino neurogênicos; também passou por cirurgia de cistoenteroplastia em 2003.
“Em quase 30 anos de idas, sempre voltamos logo após a alta”, lembra a mãe. Ela viajou a Brasília no dia 5; consultas foram nos dias 7, 8 e 9. Ao encaminhar o pedido de retorno, ouviu sobre o defeito no sistema e, desde então, não tem resposta clara.
O filho da professora foi pessoalmente ao TFD e à própria Sesacre buscar explicações. Segundo a família, a informação passada é que a empresa que emite as passagens não recebe repasses estaduais — e ninguém sabe informar quando a situação será regularizada.
Recursos já se esgotaram
Laelia planejou gastos para apenas cinco dias de estadia, prazo habitual do atendimento. Com a espera, teve que arcar com hospedagem extra e refeições; o dinheiro acabou e hoje elas fazem basicamente uma refeição por dia, já que só o café da manhã está incluso no hotel. “Não tenho condições de comprar as passagens sozinha”, lamenta.
Chegaram a sugerir que ela comprasse os bilhetes por conta própria e depois tentasse reaver o valor recorrendo ao Ministério Público.
O risco é maior pela condição de Kelen: por ser cadeirante, qualquer deslocamento improvisado traz dificuldades extras. “Se falta dinheiro ou sistema, deviam ter falado logo na sexta. Quem sofre mesmo somos nós”, reclama a mãe.
Nas redes sociais, a irmã Lana Occhi também criticou a demora. Segundo ela, nunca houve impasse parecido em quase três décadas de acompanhamento: “Primeiro culparam o sistema, depois a falta de pagamento. É total descaso com quem depende do serviço”.
Até o fechamento desta matéria, a assessoria da Sesacre informou que o setor administrativo já havia encerrado o expediente e não havia quem pudesse detalhar o ocorrido. A secretaria promete buscar dados e manifestar‑se na manhã desta terça‑feira (14).











