Quem está esperando uma compra entregue pelos Correios pode enfrentar atrasos com a greve por tempo indeterminado iniciada nesta sexta-feira (11). A paralisação foi aprovada em assembleias de trabalhadores em praticamente todo o país em assembleias na noite da quinta, segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) – restando somente o Acre, que ainda terá assembleia.
Isso, porém, não significa que todas as encomendas deixarão de ser entregues ou necessariamente chegarão depois do prazo. Até a manhã desta sexta, os Correios não haviam divulgado um balanço nacional indicando quantos funcionários aderiram à greve nem informado uma suspensão geral dos serviços de entrega.
A possibilidade de impacto existe porque os trabalhadores dos Correios atuam em diferentes etapas pelas quais uma encomenda passa antes de chegar ao destinatário. A operação inclui postagem, tratamento e triagem, transporte, distribuição e entrega. Uma redução das equipes em uma ou mais dessas fases pode afetar o fluxo dos objetos.
Na Bahia, por exemplo, a paralisação também foi aprovada. Informações divulgadas nesta sexta apontam que o movimento pode prejudicar o funcionamento de agências e as entregas de encomendas e correspondências no estado.
Minha compra vai atrasar?
Não é possível afirmar que uma determinada compra vai atrasar apenas porque os trabalhadores entraram em greve. O impacto pode variar conforme a adesão à paralisação, a região de origem e destino da encomenda, o estágio em que o objeto se encontra e o serviço utilizado.
Para quem já tem uma encomenda em trânsito, a principal recomendação é acompanhar o código de rastreamento. O sistema permite verificar as movimentações do objeto e identificar em qual etapa do transporte ele se encontra.
No caso das compras internacionais, também é importante verificar qual empresa é responsável pela entrega no Brasil. Nem toda encomenda comprada em sites estrangeiros passa pelos Correios. A Receita Federal orienta o consumidor a consultar o código de rastreamento e identificar a transportadora responsável pelo objeto.
PAC e Sedex podem ser afetados?
Greves anteriores dos Correios não significaram necessariamente a interrupção de PAC e Sedex. Em 2020, durante uma paralisação nacional, a estatal informou que os dois serviços continuavam disponíveis e adotou medidas de contingência, como mutirões de tratamento e entrega, reforço de funcionários de áreas administrativas e uso de veículos extras para reduzir os impactos da greve.
Situação semelhante ocorreu em uma paralisação de 2018. Na ocasião, PAC e Sedex continuaram sendo postados, enquanto serviços com características mais específicas, como Sedex Hoje, Sedex 10 e Sedex 12, tiveram as postagens suspensas em determinadas localidades.
Isso não significa, entretanto, que uma encomenda enviada por PAC ou Sedex esteja livre de atrasos durante uma greve. Os próprios Correios diferenciam as modalidades pelo tratamento dado ao transporte: o Sedex tem transporte prioritário, enquanto o PAC não possui essa prioridade. Em uma paralisação, porém, ambos dependem da estrutura de triagem, transporte e distribuição da empresa e podem ser afetados caso haja redução do efetivo.
E se a encomenda passar do prazo?
Os Correios consideram uma encomenda atrasada quando a entrega, a primeira tentativa de entrega ou a disponibilização para retirada ocorre depois do prazo estabelecido para o serviço contratado.
A estatal prevê indenização por atraso quando a demora ocorre por falha dos Correios. Para PAC, a devolução de parte do valor pago pela postagem varia conforme o período de atraso. No Sedex, também há percentuais diferentes de acordo com o número de dias úteis de demora. Serviços com horário determinado, como Sedex Hoje, Sedex 10 e Sedex 12, possuem regras próprias.
Isso não significa, porém, que o destinatário de uma compra feita pela internet receba automaticamente esse valor. As regras dos Correios tratam da indenização relacionada ao serviço postal contratado, normalmente pago pelo remetente.
Para o consumidor que comprou um produto pela internet, permanece a relação com a loja responsável pela venda e pelo prazo informado ao cliente. Se uma encomenda internacional não chegar dentro do período previsto, por exemplo, a própria Receita Federal orienta o comprador a procurar o site onde realizou a compra.
Quanto duraram as últimas greves dos Correios?
Não há como prever quanto tempo a atual greve dos Correios vai durar. O movimento foi aprovado por tempo indeterminado e, por isso, não tem uma data previamente estabelecida para terminar. Paralisações anteriores da categoria tiveram durações bastante diferentes.
Em 2025, trabalhadores começaram a cruzar os braços em diferentes estados em 16 de dezembro, e o movimento ganhou força nacionalmente nos dias seguintes. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou o dissídio coletivo em 30 de dezembro e determinou o retorno ao trabalho. Os Correios informaram que todas as atividades operacionais estavam restabelecidas a partir de 31 de dezembro. A paralisação, portanto, durou cerca de duas semanas.
Já em 2020, a greve se prolongou por 35 dias, de 17 de agosto a 21 de setembro, tornando-se a mais longa da história dos Correios. O fim ocorreu após julgamento do dissídio coletivo pelo TST, e os trabalhadores retomaram as atividades no dia seguinte.
No ano anterior, em 2019, a paralisação nacional foi bem mais curta. Os trabalhadores ficaram em greve entre 11 e 18 de setembro, período de aproximadamente uma semana. Na ocasião, PAC e Sedex continuaram funcionando, enquanto serviços com hora marcada, como Sedex 10, Sedex 12 e Sedex Hoje, foram suspensos.
Em 2018, uma paralisação iniciada em 12 de março também teve curta duração na maior parte do país. Após o TST julgar o impasse envolvendo o plano de saúde, trabalhadores de diversos estados aprovaram o encerramento do movimento no dia 13 e o retorno ao trabalho a partir do dia 14. São Paulo e Rio de Janeiro ainda fariam assembleias próprias para decidir sobre a continuidade.
Por que os trabalhadores entraram em greve?
A paralisação foi aprovada depois que as negociações da Campanha Salarial terminaram sem acordo. Segundo a Findect, todas as 35 assembleias realizadas até a noite de quinta-feira aprovaram a greve. No Acre, a deliberação ficou prevista para esta sexta.
Um dos principais impasses envolve o plano de saúde dos funcionários. A federação afirma que os Correios pretendem alterar a condição da empresa como mantenedora do benefício, mudança que preocupa trabalhadores por possíveis efeitos sobre o custeio e a assistência oferecida a empregados, aposentados e familiares.
Antes da greve, ocorreram rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Sem acordo, os sindicatos aprovaram a paralisação por tempo indeterminado.












