A equipe do longa-metragem “A Estirada”, que finalizou as filmagens no Vale do Juruá, divulgou neste domingo (13) uma carta aberta à governadora Mailza Assis pedindo um encontro para apresentar o projeto. Segundo a produção, a busca por uma agenda já dura mais de três meses e, apesar de sinalizações positivas da assessoria do governo, o encontro nunca se concretizou. O documento foi publicado nas redes sociais pelo diretor Sérgio de Carvalho e assinado por toda a equipe.
Na carta, os cineastas lembram que outras produções audiovisuais rodadas na região — como “Tarã”, do Disney+ com Xuxa Meneghel, e “Geni e o Zepelim”, de Anna Muylaert — receberam apoio do Governo do Estado e geraram movimento na economia local, com contratação de profissionais, hotéis, alimentação, transporte e fornecedores. A equipe de “A Estirada” afirma que o filme vem gerando efeito semelhante e destaca estudos que apontam que o investimento em cultura pode gerar um retorno de até cinco vezes na economia.
O longa é descrito como tendo “DNA acreano”, com ampla participação de profissionais do estado, e conta ainda com parcerias com a cidade peruana de Pucallpa, o que amplia sua projeção transfronteiriça. A produção também cita o filme “Noites Alienígenas” como exemplo de como o cinema acreano pode ganhar espaço em mostras nacionais e internacionais — expectativa que também existe para “A Estirada”.
A equipe agradece o apoio recebido da Fundação Elias Mansour (FEM) e da Prefeitura de Cruzeiro do Sul, mas defende que o audiovisual seja tratado como política estratégica de cultura, economia e desenvolvimento para o Acre. O documento reforça que a publicação não tem caráter de confronto, mas sim de convite ao diálogo, e reitera o pedido de audiência com a governadora para apresentar o projeto e seus desdobramentos.
“Carta aberta à governadora do Acre, Mailza Assis”
Prezada Governadora,
Terminamos as filmagens de A Estirada no Vale do Juruá com enorme alegria e também com uma inquietação.
Sabemos de sua sensibilidade e compromisso com a cultura. Por isso, há mais de três meses venho tentando uma agenda para apresentar pessoalmente o projeto. A senhora chegou, gentilmente, a informar que sua assessoria entraria em contato, mas, infelizmente, esse contato ainda não aconteceu.
Nos últimos anos, estive à frente da produção local de projetos como Tarã, do Disney+, protagonizada por Xuxa, e Geni e o Zepelim, dirigido por Anna Muylaert, pela Migdal Filmes. Ambos realizados também no Juruá, encontraram portas abertas no Governo do Estado e movimentaram profissionais, hotéis, alimentação, transporte, fornecedores e muitos outros serviços.
A Estirada fez o mesmo. O cinema movimenta uma cadeia econômica extensa e estudos sobre a economia criativa apontam que o investimento em cultura pode gerar um efeito multiplicador de até cinco vezes na economia.
Mas desta vez existe uma diferença fundamental: A Estirada nasce aqui.
É um filme com DNA acreano, produzido a partir do Acre, com forte participação de profissionais do estado e filmado no Juruá e firma parcerias com Pucallpa, no Peru. A sonhada integração acontecendo pela cultura.
Assim como Noites Alienígenas levou nosso cinema a importantes espaços nacionais e internacionais, acreditamos que A Estirada pode novamente colocar o Acre em evidência no cenário do cinema brasileiro e internacional.
Agradeço à FEM e a Prefeitura de CZS pelo diálogo e pelo apoio dentro de suas possibilidades. Mas acredito que chegou a hora de olharmos para o audiovisual também como uma política estratégica de cultura, economia e desenvolvimento para o Acre.
Não faço esta publicação como confronto, mas como um convite ao diálogo.
Queremos que o Acre não seja apenas cenário para o cinema, mas lugar de criação, produção, trabalho e autoria.
Governadora, continuo querendo lhe apresentar o projeto e o futuro do cinema que estamos construindo por aqui.
Att,
Equipe A Estirada”












