Descoberta histórica: nova espécie de felino é identificada na Bolívia, a primeira em mais de um século

3 Min Read
Descoberta histórica: nova espécie de felino é identificada na Bolívia, a primeira em mais de um século

Pela primeira vez em mais de 100 anos, cientistas descreveram uma espécie viva de felino até então desconhecida. O pequeno animal, chamado Tilcayo pelas comunidades locais, habita as florestas nubladas de Yungas, na Bolívia, e foi formalmente batizado de Leopardus tilcayo. O estudo foi publicado na revista Current Biology.

O felino pertence ao grupo dos gatos-tigre, que até pouco tempo se considerava uma única espécie. Pesquisas genéticas agora revelam que são, na verdade, cinco linhagens distintas. O Tilcayo destaca-se por características próprias: mede cerca de 46 cm e pesa 1,4 kg — menor que um gato doméstico —, com pelagem marrom-clara e rosetas de formato irregular espalhadas pelo corpo.

“Ao observá-lo, percebemos que não correspondia às descrições conhecidas, baseadas principalmente em exemplares do Brasil. Foi aí que perguntamos: que espécie temos aqui?”, relata Paola Nogales-Ascarrunz, exploradora da National Geographic e uma das autoras do trabalho.

A análise de DNA de 38 amostras, incluindo peças de museu, mostrou que a linhagem do Tilcayo se separou dos demais gatos-tigre há aproximadamente 1,4 milhão de anos — tempo suficiente para ser reconhecida como espécie própria.

Os cientistas contam até agora com apenas dois indivíduos vivos e registros de câmeras. Um deles é um macho de 10 anos que vive no Santuário Senda Verde, após ter sido criado por moradores locais. Evidências apontam dieta baseada em pequenos roedores e hábito noturno.

Além do Tilcayo, o estudo identificou uma nova subespécie no Peru, batizada de Leopardus tigrinus antisuyo, em referência à região do Império Inca onde é encontrada.

A Lista Vermelha da IUCN ainda classifica os gatos-tigre como um grupo único em situação vulnerável. Com a divisão em cinco espécies, cada uma poderá ser avaliada separadamente — e o Tilcayo pode ser considerado ameaçado, já que vive nos Yungas, um bioma pressionado por desmatamento, agricultura, fogo e mineração.

“Precisamos proteger os remanescentes de floresta e reconectar áreas degradadas”, alerta Nogales-Ascarrunz. Para o biólogo Eduardo Eizirik, da PUCRS e coautor, a descoberta traz uma mensagem urgente: “Ainda há espécies a serem encontradas — e elas podem desaparecer antes mesmo de serem conhecidas”.

Propaganda
Compartilhe este artigo