O ex-senador Jorge Viana (PT) fez duras críticas ao cenário político acreano em entrevista ao Gazeta Entrevista, nesta terça-feira, 20 de outubro. Após perder a disputa ao Senado nas eleições deste ano, o petista lamentou o que classifica como uma ruptura com as raízes e a identidade do estado, e chamou atenção para o avanço do bolsonarismo na região.
“Eu queria tanto que o nosso estado não tivesse se entregado ao bolsonarismo, porque para mim, direita é uma coisa, bolsonarismo é outra coisa”, declarou.
Críticas à gestão e ao cenário político local
Viana questionou a preferência dos eleitores por candidatos que, segundo ele, não possuem vínculos históricos com o Acre. “Por que o pessoal está preferindo votar em gente que apareceu aqui outro dia e esquece quem é acreano raiz do pé rachado?”, indagou. Ele também fez um paralelo entre o atual momento e a permanência de um mesmo grupo político no poder nos últimos oito anos, citando nomes como Tião Bocalom, Mailza Assis e Alan Rick, todos ligados à gestão de Gladson Cameli.
O ex-senador usou uma imagem forte para sintetizar sua visão sobre a situação econômica: “O que mais tem no Acre hoje é placa de venda e se aluga-se. O Acre está à venda, gente”. Ele criticou ainda o uso simbólico dos elementos de identidade local por políticos que, segundo afirma, não conhecem a história do estado: “Eles se embrulham na bandeira do Acre, mas não sabem cantar uma estrofe do Hino Acreano”.
Alerta sobre a disputa presidencial
Viana foi ainda mais contundente ao falar do segundo turno da eleição presidencial. Classificou a disputa como decisiva para o futuro da democracia e traçou um paralelo histórico com a ascensão de regimes autoritários na Europa do século XX: “Não é uma candidatura qualquer. Estamos falando do risco de termos um fascismo implantado no Brasil”.
Ele fez questão de diferenciar conservadorismo de extremismo: “Respeito as pessoas de direita. Meu pai era conservador, não tem problema nenhum. Estou falando de extremistas”. Sobre o senador Flávio Bolsonaro, afirmou: “Esse cidadão é dessa laia: ligado a milícias e ao Comando Vermelho”.
Apelo à pacificação e postura eleitoral
Apesar da derrota, Viana agradeceu aos mais de 124 mil eleitores que o apoiaram e disse respeitar a escolha democrática feita pela população. Reafirmou que não pretende mudar seu estilo político para conquistar votos: “Prefiro perder ganhando”. Caso Lula seja eleito, defende que seu mandato seja voltado à pacificação do país e à redução da polarização que divide famílias e grupos sociais. Como engenheiro florestal, finalizou reforçando a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico com a proteção ambiental e os direitos dos povos originários.












