Tanques, blindados, aeronaves e sistemas de mísseis dividiram o mesmo campo de treinamento no Rio Grande do Sul. Cerca de 2,8 mil militares dos Exércitos do Brasil e da Argentina participaram do Exercício Combinado Arandu 2026, encerrado em outubro.
A operação mobilizou mais de 600 viaturas e colocou tropas dos dois países diante de simulações de combate. O treinamento buscou testar a capacidade de brasileiros e argentinos planejarem, se comunicarem e atuarem de forma coordenada.
Combate em grande escala
A principal área do exercício foi o Campo de Instrução Barão de São Borja, em Rosário do Sul (RS). As atividades também envolveram estruturas militares em Santa Maria e Faxinal do Soturno, formando um cenário amplo para diferentes modalidades de operação.
As tropas realizaram manobras terrestres, coordenação de fogos, incursões aeromóveis, infiltrações e ações de Operações Especiais. Unidades de Engenharia ainda precisaram transportar veículos e militares através de cursos d’água durante o treinamento.
O exercício também colocou aeronaves em ação. Entre os meios empregados estavam o KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira, e o CASA C-212, utilizado pelos argentinos para apoiar parte das operações realizadas durante o Arandu.

O KC-390 Millennium é um avião de transporte militar tático e logístico desenvolvido pela Embraer Crédito: Alexandro Dias / Wikimedia Commons
Guerra sem disparos reais
Parte dos confrontos foi reproduzida com equipamentos que simulam os efeitos de tiros durante o combate. Sensores e dispositivos a laser instalados nos militares e nas viaturas permitiram identificar quando um participante ou veículo havia sido atingido.
O recurso tornou possível avaliar decisões tomadas em campo sem depender apenas de exercícios previamente ensaiados. Observadores acompanharam as ações, enquanto uma força adversária simulava movimentações inimigas e obrigava os participantes a reagir às mudanças.
Outro sistema utilizado foi o Fire Marker, empregado na representação dos efeitos do fogo de artilharia e de outros tipos de apoio. O objetivo era aproximar o exercício das dificuldades encontradas em uma operação real, preservando o caráter de treinamento.
Três anos de preparação
Os exercícios de outubro do Arandu 2026 marcaram a etapa final de um ciclo iniciado em 2024, quando militares dos dois países passaram a trabalhar no planejamento e na preparação do exercício.
Em 2025, a cooperação avançou para uma fase de simulação, antes da mobilização das tropas e equipamentos no terreno em 2026. O modelo permite que os dois Exércitos avancem gradualmente do planejamento para situações práticas envolvendo unidades diferentes.
O ciclo faz parte de uma sequência de exercícios entre brasileiros e argentinos. Uma etapa anterior ocorreu entre 2018 e 2020 no Brasil, enquanto o ciclo seguinte, de 2021 a 2023, terminou com tropas brasileiras participando de treinamento em território argentino.












