Tia encontra menino com hematomas e faz relato detalhado; diretor de abrigo nega estupro e fala em risco a outros acolhidos

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Tia encontra menino com hematomas e faz relato detalhado; diretor de abrigo nega estupro e fala em risco a outros acolhidos

O caso envolvendo um menino de 11 anos acolhido no Educandário de Cruzeiro do Sul ganhou novos detalhes nesta quinta-feira (22). A tia da criança relatou que encontrou o sobrinho com hematomas no rosto e questionou a demora das autoridades em tomar providências. Já o diretor-presidente da instituição, Rinauro Lima, negou que tenha havido estupro e afirmou que os demais jovens do abrigo estariam correndo risco de morte.

Segundo a familiar, os fatos teriam ocorrido na quinta-feira (15), mas ela só foi informada no sábado (17). Ao ir até o local acompanhada da Polícia Militar, disse ter ficado mais de uma hora esperando atendimento sem sucesso:

“Quando chegamos, a polícia ligou a sirene, bateu no portão, chamou, e ninguém saiu para atender. Depois o Conselho Tutelar chegou, mas também não permitiu nossa entrada. Disseram que só poderíamos saber o que estava acontecendo na segunda-feira.”

Ela só conseguiu ver o menino no domingo (18), após ele ser transferido para outra unidade de acolhimento. Segundo seu relato, a criança apresentava marcas de agressão no rosto e contou que teria sido violentada por outros acolhidos:

“Ele estava com hematomas no rosto e me contou o que tinha acontecido. Disse que tinham segurado ele, batido nele para entrar no quarto e introduzido uma escova de dentes nas partes íntimas.”

A tia também destacou a demora nas providências: o exame de corpo de delito só foi realizado na terça-feira (20), cinco dias após o ocorrido.

“Quando fui à delegacia na segunda-feira, por volta das 10 horas, ainda não havia denúncia formal. Só existia o registro da ocorrência da Polícia Militar. Espero que tudo seja investigado, inclusive a possível omissão de quem deveria proteger essas crianças.”

Rinauro Lima, diretor-presidente da instituição, apresentou uma versão diferente dos fatos:

“A tia dessa criança, que agora está muito preocupada com ele, nem queria esse sobrinho. Nós não acreditamos que houve estupro e agora as outras crianças estão em risco. Estou indo para a delegacia pedir ajuda à polícia porque soubemos que já tem gente atrás de saber nosso endereço.”

Ele afirmou que a gestão do abrigo não é da Prefeitura nem da Diocese, mas não esclareceu quem é o responsável direto pela administração — mesmo a unidade recebendo recursos públicos. O local acolhe atualmente 16 jovens.

O delegado Everton Carvalho, da DEMPCA, informou que os depoimentos já estão sendo colhidos e que a investigação segue em andamento:

-A vítima foi submetida a exame de corpo de delito
-Ainda não há confirmação sobre o uso de escova de dentes no suposto abuso
-As primeiras informações apontam para possível envolvimento de outro acolhido
-O caso segue sob apuração para esclarecer todos os fatos e responsabilidades

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