Os protagonistas da série “Friends” (1994) se reuniram diante do caixão do colega de elenco Matthew Perry durante o seu funeral, realizado no final de 2023. A revelação foi feita por Mia Perry Bowick, irmã do artista, no documentário “The One About Matthew Perry”, que estreia na próxima terça-feira (27) na Netflix.
A produção de três episódios vai abordar a trajetória, a carreira e a dependência química do intérprete do personagem Chandler Bing. Segundo o Page Six, que teve acesso prévio ao documentário, Mia afirmou que não via os ex-colegas de elenco do irmão havia cerca de duas décadas. “Jennifer Aniston foi a primeira a se aproximar e me dar um abraço apertado. Mas todos fizeram o mesmo”, relatou.
O momento foi marcado por emoção. Aniston, Courteney Cox, Lisa Kudrow, David Schwimmer e Matt LeBlanc, que dividiram o protagonismo da série com Perry, se aproximaram juntos do local de despedida. “Os cinco caminharam até o caixão de mãos dadas e ficaram ao redor dele, chorando”, disse.
Durante as homenagens, a irmã de Perry contou ter tido uma reação inusitada ao imaginar como o ator comentaria o próprio velório. “Senti como se ele estivesse atrás do meu ombro direito dizendo: ‘Que merda é essa?'”, afirmou Mia. “Comecei a rir muito. Pensei: ‘Meu Deus, é ele!’, me fazendo rir no pior momento possível.”
A diretora da produção, Mary Robertson, destacou o depoimento de Mia como um dos momentos mais marcantes do documentário, ressaltando que o episódio reflete o senso de humor característico do ator.
Apesar de prestarem homenagens e comparecerem ao funeral, os cinco atores de “Friends” optaram por não conceder entrevistas para a produção. “Sei que eles amavam Matthew e sofrem com sua perda. Nós os convidamos, mas eles decidiram não participar”, explicou Robertson, acrescentando que respeita o momento de luto e a privacidade dos colegas do artista.
Matthew Perry ganhou projeção internacional ao dar vida ao personagem Chandler Bing na comédia “Friends”. Ao longo da carreira, o ator falou abertamente sobre seus problemas com o alcoolismo e o uso de drogas, além dos longos e difíceis processos de reabilitação. Ao lançar sua autobiografia em 2022, “Friends, Lovers, and the Big Terrible Thing” (publicada no Brasil como “Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível”), o artista reforçou que o objetivo central de expor sua história era ajudar pessoas que enfrentavam o mesmo dilema.
O artista faleceu em 28 de outubro de 2023, em sua residência em Los Angeles, nos Estados Unidos. Laudos periciais apontaram que a causa da morte foi um afogamento acidental decorrente dos efeitos agudos do uso de cetamina.
Em maio deste ano, Kenneth Iwamasa, ex-assistente pessoal do artista, foi condenado a cumprir 41 meses de prisão por participação no esquema de distribuição do anestésico que levou à morte do astro. Segundo as investigações, Iwamasa recebia ilegalmente e aplicava a substância no ator mesmo sem ter qualquer formação médica.
No mesmo período, o produtor Erik Fleming, apontado como intermediador na compra das drogas, foi sentenciado a dois anos de prisão e três de liberdade supervisionada. Ele se declarou culpado das acusações de conspiração para distribuir cetamina e de fornecimento da substância com resultado de morte.
Além da dupla, outras três pessoas foram responsabilizadas pela Justiça. Entre elas está Jasveen Sangha, apelidada pelas autoridades como a “Rainha da Cetamina”, acusada de fornecer a droga para personalidades de Hollywood; ela recebeu pena de 15 anos de prisão por ter vendido cerca de 50 frascos da substância ao ator, por meio de Fleming.
O médico Salvador Plasencia, apontado por repassar doses do medicamento, acabou condenado a dois anos e meio de reclusão. Já o médico Mark Chavez, que admitiu ter vendido cetamina, se declarou culpado, teve a licença cassada e cumprirá prisão domiciliar por oito meses, seguidos de três anos de liberdade condicional.











