Enem 2026: prova de Linguagens cobra racismo, machismo e inteligência artificial

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Enem 2026: prova de Linguagens cobra racismo, machismo e inteligência artificial
Na Bahia, mais de 437 mil candidatos devem fazer as provas nesse primeiro dia de Enem 2026 Crédito: Luis Fortes/MEC

Na prova de Linguagens do Enem 2026 aplicada neste domingo (8), os candidatos encontraram questões sobre racismo, machismo, capacitismo, arte indígena e inteligência artificial (IA), além de referências à cultura brasileira e à literatura.

Na avaliação da professora Maria Raquel Dias Sales Ferreira, do Bernoulli Educação, a prova manteve o perfil interpretativo do exame, com textos bem selecionados e alternativas cuidadosamente elaboradas. O maior nível de exigência, segundo ela, apareceu nas questões de Literatura.

Em Linguagens, temas contemporâneos tiveram espaço na avaliação. Uma das questões abordou inteligência artificial, com uma charge sobre a tecnologia e outra discussão relacionada a ferramentas capazes de identificar textos produzidos por IA.

A inclusão também esteve presente em diferentes questões, com referências ao racismo, ao machismo e ao capacitismo. Campanhas publicitárias sobre segurança no trânsito e expressões capacitistas foram outros assuntos explorados.

A prova ainda apresentou um infográfico sobre a Lei Rouanet e referências à produção artística e cultural brasileira. Entre elas estavam obras de Candido Portinari, uma produção fotográfica que utiliza cartelas de medicamentos como suporte, uma canção de Dona Onete e a obra Calabar, de Chico Buarque.

Literatura foi o maior desafio

Embora a avaliação tenha apresentado questões de interpretação textual, gêneros, funções da linguagem, estruturas argumentativas e aspectos gramaticais, a maior dificuldade esteve em Literatura.

Segundo Maria Raquel, as questões da área tiveram nível de sofisticação superior ao de edições anteriores. Um dos destaques foi um conjunto de perguntas baseado em um trecho de Menino de Engenho, de José Lins do Rego, obra representativa do romance de 1930.

As questões exigiram conhecimentos sobre a estrutura e os aspectos estéticos da narrativa, além de relações com a historiografia literária. Também exploraram variação linguística, escolhas gramaticais e seus efeitos de sentido.

Na avaliação da professora, esse conjunto favoreceu candidatos com leitura atenta, repertório literário e domínio dos conteúdos da área.

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