BRASÍLIA (DF) – Brasil se juntou a Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai para repudiar o ataque militar liderado pelos Estados Unidos contra a Venezuela, em comunicado conjunto divulgado neste domingo (04). Os governos manifestaram profunda preocupação com as ações do presidente norte-americano Donald Trump e alertaram para os riscos à paz regional.
Na nota, os seis países ressaltaram que a intervenção contraria princípios fundamentais do direito internacional, consagrados na Carta das Nações Unidas, como a proibição do uso e da ameaça de força, além do respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados.
“Expressamos nossa profunda preocupação e repúdio às ações militares realizadas unilateralmente em território venezuelano”, destaca o comunicado. Os signatários avaliam que o ataque representa um “precedente extremamente perigoso” para a segurança da região e coloca em risco a população civil.
A nota reforça que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano, “sem interferência externa e em conformidade com o direito internacional”.
“Reafirmamos que somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática e sustentável que respeite a dignidade humana”, completa o texto, que também ratifica a América Latina e o Caribe como zona de paz, baseada no respeito mútuo e na não intervenção.
Ao final, os países pedem unidade regional além das diferenças políticas diante de qualquer ameaça à estabilidade, e fazem apelo ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e aos membros de mecanismos multilaterais para ajudar a reduzir as tensões. Também alertam contra qualquer tentativa de controle externo sobre recursos naturais ou estratégicos do país, “incompatível com o direito internacional”.
No sábado (03), diversas explosões foram registradas em bairros de Caracas. Durante o ataque, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.
O episódio marca a primeira intervenção direta dos EUA em um país latino-americano desde 1989, quando o então presidente do Panamá, Manuel Noriega, foi sequestrado sob acusação de narcotráfico. Assim como naquele caso, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel chamado De Los Soles, mas até o momento não apresentaram provas – o que é questionado por especialistas em tráfico internacional de drogas.
O governo de Trump havia oferecido uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Para críticos da ação, a medida tem motivação geopolítica: afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia, além de garantir maior controle sobre as maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.









