BRASÍLIA (DF) – O governo brasileiro participará de reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a crise na Venezuela, marcada para a manhã da próxima segunda-feira (5/1). A informação foi confirmada pela secretária-geral de Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, durante coletiva de imprensa no Palácio do Itamaraty, neste sábado (3/1).
Na ocasião, a embaixadora afirmou que a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou o ataque dos Estados Unidos como uma “afronta gravíssima à soberania” da Venezuela, será reforçada na reunião. “O que está na declaração do presidente hoje de manhã continua sendo a posição do Brasil, que será também apresentada no Conselho de Segurança”, destacou ela.
A coletiva ocorreu após reunião de emergência convocada no Itamaraty, em Brasília, para avaliar o cenário após o ataque norte-americano e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O encontro reuniu ministros e assessores do governo, com a participação de Lula e do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, por videoconferência – ambos estavam de férias e tinham previsão de retorno ao trabalho na próxima quarta-feira (7/1).
Vieira retorna à capital federal ainda neste sábado. Já Lula, que está na Restinga da Marambaia, base da Marinha no Rio de Janeiro, aguarda informações sobre o desenrolar dos fatos para decidir sobre o retorno antecipado. Presencialmente, participaram do encontro o ministro da Defesa, José Múcio; a ministra interina da Casa Civil, Miriam Belchior; e diplomatas do Itamaraty e da Presidência. O titular da Casa Civil, Rui Costa, também está de férias.
Mais cedo, Lula condenou a ação norte-americana, afirmando que ela “ultrapassa uma linha inaceitável”.
Fronteira com Venezuela permanece aberta, mas governador de Roraima pede fechamento
O ministro da Defesa informou que a fronteira do Brasil com a Venezuela segue aberta, segura e “tranquila”. “Nós já temos um contingente suficiente de homens e equipamentos para garantir segurança e dar tranquilidade. Estamos monitorando a situação o tempo todo”, declarou Múcio, acrescentando que não há registro de brasileiros entre as vítimas dos ataques até o momento.
No entanto, o governador de Roraima, Antônio Denarium (PP), solicitou ao governo federal o fechamento da fronteira. Em declaração à Metrópoles, o gestor afirmou temer que a situação possa gerar novo fluxo imigratório, para o qual o aparato de proteção social do estado não está preparado.
Operação norte-americana e posse de presidente interina
As forças armadas dos Estados Unidos realizaram operação na madrugada de sábado em Caracas, onde detiveram Maduro e a primeira-dama Cilia Flores na residência do líder, descrita como “fortemente fortificada”. De acordo com o presidente norte-americano Donald Trump, o chavista será extraditado para Nova York, onde deverá ser indiciado por “narcoterrorismo”, e está atualmente em um navio militar em rota para os EUA.
Trump afirmou ainda que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela durante uma “transição segura e criteriosa” e mencionou a vice-presidente Delcy Rodríguez como parte da gestão supostamente transitória, descrevendo-a como “simpática”.
Horas depois, no entanto, Rodríguez tomou posse como presidente interina do país em uma “cerimônia secreta”, conforme o New York Times. Em pronunciamento, ela convocou um Conselho de Defesa e afirmou quey “só existe um presidente neste país, e seu nome é Nicolás Maduro Moros”, pedindo a mobilização nacional.









