O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, anunciado nesta sexta-feira (9), promete revolucionar o acesso dos brasileiros a produtos importados europeus. Vinhos, chocolates finos, queijos especiais e azeites de oliva poderão chegar às prateleiras com preços significativamente menores nos próximos anos, beneficiando principalmente consumidores das classes A e B.
A diminuição nos valores não acontecerá imediatamente. O tratado estabelece um cronograma escalonado para eliminar as alíquotas de importação, com prazos que variam entre 4 e 15 anos, dependendo do setor.
Produtos da gastronomia europeia terão o maior prazo de adaptação. Vinhos, queijos premium, azeites extravirgem e chocolates artesanais levarão até 15 anos para atingir tarifa zero de importação.
Atualmente, essas categorias enfrentam impostos que encarecem drasticamente os produtos. O vinho, por exemplo, paga 20% de tarifa e terá redução de 11,1% já no primeiro ano, zerando completamente em 8 anos. Chocolates, também taxados em 20%, verão a alíquota cair gradualmente ao longo de 15 anos, com redução inicial de 6,3%.
Quem mais se beneficia
Apesar da redução tarifária, a cotação do euro (R$ 6,24) ainda representa um obstáculo para produtos muito caros. Especialistas avaliam que marcas europeias de preço médio, populares na Europa mas caras no Brasil devido aos impostos, devem liderar o desembarque por aqui.
Chocolates belgas, suíços e franceses de categorias premium podem chegar em volume reduzido, focando lojas especializadas e consumidores de alto poder aquisitivo. No entanto, marcas mais acessíveis teriam dificuldade de competir com produtores nacionais, especialmente considerando que o Brasil é o maior produtor de cacau do mundo.
Outros produtos do cotidiano impactados
Medicamentos: Analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios levarão até 10 anos para zerar tarifas que hoje variam entre 8% e 14%. O setor farmacêutico brasileiro, representado pelo Grupo FarmaBrasil e Abifina, defende que o governo mantenha compras públicas de medicamentos nacionais para o SUS.
Automóveis: A tarifa de 35% sobre carros europeus cairá a zero em 15 anos. Marcas de luxo e fabricantes populares com produção na Europa (Volkswagen, Fiat, Renault) serão diretamente impactados. Peças automotivas, com alíquotas entre 14% e 18%, terão redução completa em 7 a 10 anos.









