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Árvores artificiais ‘plantadas’ para a COP30 causam polêmica nas redes sociais: ‘Descaso e falta de conhecimento’

A cidade de Belém, no Pará, terá o desafio de receber entre os dias 10 e 21 de novembro a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30. O encontro marcará a primeira vez em que a COP é realizada na Amazônia.
Em meio às obras realizadas pelo governo, uma em especial causou bastante polêmica nas redes sociais nos últimos dias. Pontos turísticos de Belém estão ganhando um conjunto de árvores artificiais chamadas pela Secretaria de Obras Públicas do Pará (Seop) de “eco-árvores”.
Segundo o governo, o intuito é promover “sombra e conforto para quem passa pela área”. Elas são feitas de vergalhões reaproveitados e plantas trepadeiras. A arquiteta responsável pelo projeto, Naira Carvalho, afirmou que a obra foi inspirada nas “árvores gigantes da Cingapura”.
A Seop informou que foram construídas 188 árvores artificiais para compor a paisagem da capital da COP30, sendo 88 para o Parque Linear Nova Doca e 100 para o Parque Linear Nova Tamandaré.
“A função principal das eco-árvores é promover o sombreamento do Parque Linear, que dessa forma vai gerar um conforto térmico ao longo de todo o parque”, disse Thais Ribeiro, engenheira da Seop.
A afirmação, no entanto, é refutada pelo Coletivo COP do Povo: “Essa decisão revela não apenas um preocupante grau de desconexão com a realidade amazônica, mas também uma afronta direta aos princípios defendidos pelos grandes marcos globais que orientam a ação climática e ambiental, como o Acordo de Paris”.
De acordo com a coalizão, o “plantio” de árvores artificiais na Amazônia representa “desprezo pelo conhecimento tradicional e científico sobre o bioma” e “a falta de escuta e diálogo com as comunidades locais, ribeirinhas e povos originários”.
“A sensação que se tem é de que o descaso do governo estadual, não se resume aos cuidados com a floresta nativa, mas também a falta de conhecimento sobre a própria Amazônia. Centenas de alternativas poderiam ser encontradas para tal tarefa, bastava consultar as comunidades tradicionais e os povos originários da região, mas isso não foi feito”, completou o coletivo.
Nas redes sociais, internautas também compartilharam da indignação. “Isso tá ecoando na minha mente. São muitas camadas”, escreveu um usuário do X. “Eu achei que fosse fake news essa ideia do governo do Pará colocar árvores artificiais de plástico pelas ruas pra receber a cop30, mas não era”, disse outro.
