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CIDADES

Biólogo faz registro raro de onça-pintada atacando jacaré: ‘Foi uma loucura’

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Medrosa atacou o jacaré, mas não ficou com o jantar Foto: Reprodução/Marcos Ardevino

Um momento tão inesperado quanto extraordinário surpreendeu turistas e fotógrafos no Pantanal mato-grossense. O biólogo e guia de turismo Marcos Ardevino conseguiu capturar em vídeo e fotografias o ataque da onça-pintada Medrosa a um jacaré, em plena luz do dia, no Parque Estadual Encontro das Águas, entre Poconé e Barão de Melgaço — região considerada um dos melhores lugares do mundo para observar esses grandes felinos.

A sequência impressionante mostra Medrosa saltando de uma árvore diretamente em direção ao réptil, que nadava calmamente abaixo. O ataque se estendeu para dentro do rio, em uma luta curta, mas intensa, até que o jacaré conseguiu se soltar e escapar.

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Para Marcos, o registro foi o resultado de muita experiência — e de um pouco de sorte. “A gente gravou aqui na região do Parque Estadual Encontro das Águas. É uma região onde a gente tem realizado essa atividade de observação de fauna há mais de 30 anos, mas, recentemente entre 13 e 15 anos atrás, a gente começou a observar mais e mais onças pintadas na região e isso virou uma atração a nível mundial”, explicou ao Terra.

Marcos conhece Medrosa desde filhote. “Essa fêmea de onça pintada a gente acompanha desde 2016, quando ela nasceu. Ela é filha de outra onça conhecida já, a Patrícia, de 2012. A gente consegue acompanhar gerações de onça pintada da região.”

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O ataque aconteceu em plena temporada de seca, período em que os fotógrafos têm mais chances de presenciar a rotina dos animais de perto. Marcos chegou ao local com outros fotógrafos e turistas para observar Medrosa, deitada numa árvore descansando. “E aí eu pedi para o meu piloteiro posicionar o barco no ângulo a favor da luz.”

Apesar de ter recebido o nome por ter se assustado com ariranhas em outro momento, Medrosa é conhecida como uma caçadora ágil e já foi flagrada em outros ataques.

Com a movimentação de um jacaré nas proximidades, Marcos antecipou o desfecho. “Posicionei o barco assim no melhor ângulo possível e de repente a gente viu um jacaré saindo do capinzeiro, e ele começou a nadar em direção à árvore. Então eu tive tempo de falar para todo mundo: ‘gente se preparem que ela vai atacar, vai pular em cima do jacaré’.”

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“Foi uma cena muito difícil de a gente conseguir ver em área aberta, com a luz boa, no ângulo bom, estava tudo muito propício para fotografia. Parece até que a gente pegou a onça de jacaré lá para fazer foto de estúdio, foi uma loucura. Qualquer pessoa que curte fotografia, com certeza ficaria doido com uma situação dessas.”

A cena, única, tirou o sono do fotógrafo na noite seguinte. Mas, um registro que marcou ainda mais o Marcos foi com a mãe de Medrosa, a Patrícia. Na ocasião, em 2014, Marcos havia comprado sua primeira câmera profissional e estava em busca de um clique. Patrícia estava com outro filhote, chamada Capy.

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“A bicharada muitas vezes explora os barrancos dos rios, procurando por qualquer presa potencial. E a gente tava acompanhando elas e elas sumiram”, contou. Acompanhado apenas do piloto do barco e outro fotógrafo, conseguiram reencontrar a dupla. “Foi uma cena que as duas pararam na beira do barranco do rio e olharam pra gente ao mesmo tempo. Esse contato olho no olho, quando a gente tá fazendo fotografia de vida selvagem, é incrível. […] Olharam para gente e voltaram para dentro do mato. E a gente não achou elas mais. Então foi uma situação muito especial.”

Para ele, o registro vai além do espetáculo da vida selvagem: é também uma ferramenta de conscientização. “A gente só consegue falar de conservação quando a gente estimula a economia local. […] Se a gente não conseguir estimular as pessoas a trabalharem com o turismo de natureza, melhorando sua renda, melhorando sua qualidade de vida, a gente não vai conseguir uma melhoria no aspecto ambiental a nível mundial.”

“Hoje, a gente tem muita gente que trabalha aqui como piloteiro, ou como auxiliar de cozinha. Tem vários profissionais envolvidos nesse trade, e todos eles entendem a importância da mata em pé e do bicho vivo. Porque isso gera renda para eles e para família”.

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