Uma brasileira que aguarda reencontrar o filho, levado sem autorização ao Egito pelo marido há mais de três anos, fez um emocionado ‘último pedido de socorro’ neste sábado, 7, para voltar a estar com a criança. Em novembro de 2025, a Justiça do país africano concedeu a guarda do menino à mãe, Karin Rachel Aranha Toledo, mas ela ainda aguarda o cumprimento da decisão.
No vídeo publicado nas redes sociais, Karin criticou o fracasso no cumprimento de um mandado de busca e apreensão e cobrou por cooperação internacional para a resolução do caso: “Cadê a cooperação? Não existe. Egito faz parte da Interpol para quê? Enquanto não houver uma tragédia, ninguém vai se importar”.
“A única coisa que eu não queria, de jeito nenhum, era que meu filho ficasse aqui. Porque o meu filho tem família materna. Mas estou no meu limite. É mais do que um pedido de socorro, é um pedido de quem não aguenta mais sobreviver a isso”, desabafou visivelmente abalada.
O drama de Karin Aranha começou em 2022. Ela morava em Valinhos (SP) com o filho Adam e o marido, Ahmed Tarek Mohamed Faiz Abedelkalec. Porém, ao voltar de uma viagem à Europa, ela não encontrou ninguém em casa.
Karin descobriu, então, que Ahmed tinha viajado ao Egito com o menino, à época com 4 anos, sem a sua autorização.
O caso começou a ser investigado pela Polícia Federal e, no ano seguinte, a Justiça Federal de Campinas determinou a prisão de Ahmed. Karin, por sua vez, solicitou a guarda de Adam à Justiça do Egito, e se mudou para o país em 2024 para acompanhar o processo.
O caso ganhou novos desdobramentos em novembro de 2026, quando o Tribunal de Apelações do Cairo reverteu a decisão de primeira instância que havia retirado a guarda de Karin, e transferido Adam para a avó paterna, sob a alegação de que a mãe era ‘inapta para cuidar do filho e inadequada para exercer sua guarda’.
Na nova decisão, os juízes entenderam que as acusações usadas pela família paterna de Adam eram baseadas em ‘boatos’, e que os argumentos apresentados por Ahmed eram infundados.
Além de devolver a guarda de Adam para Karin, o tribunal ainda determinou que Ahmed e sua família arcassem com o pagamento das custas processuais e honorários advocatícias nas duas instâncias.
Karin ainda aguarda pelo cumprimento da sentença. Seu advogado recebeu a cópia executiva da decisão em 13 de janeiro passado, o que permitiu dar início à fase de execução.
A luta para reaver a guarda do filho tornou Karin em uma ativista contra a subtração internacional de crianças. Sem recursos financeiros e apoio institucional, ela precisou de ajuda para arcar com advogados, tanto no Brasil quanto no Egito.








