Goiânia – O delegado André Luiz Barbosa, do Grupo de Investigação de Homicídios de Caldas Novas, descreveu em entrevista coletiva a “relação conflituosa” entre o síndico do Condomínio Amethist Tower, Cléber Rosa de Oliveira, e a corretora Daiane Alves, encontrada morta, após 43 dias desaparecida, na manhã desta quarta-feira (28/1).
De acordo com ele, a investigação aponta que o atrito entre os dois já durava mais de um ano e meio e teve origem em uma disputa comercial ligada à administração e à exploração de imóveis de temporada dentro do próprio prédio.
“Apesar de a relação conflituosa entre o autor e a vítima perdurar por cerca de mais de um ano e meio, ela começa diante da disputa comercial entre ambos”, afirmou o delegado. Cléber, que confessou o crime, foi preso na manhã desta quarta, junto com o filho, Maykon Douglas de Oliveira. O porteiro do prédio também foi ouvido.
De acordo com Barbosa, o ponto inicial do conflito foi a mudança na administração de seis apartamentos da família da vítima. “Até então a administração dos apartamentos da família da Daiane era feita pelo síndico. Então há um atrito aí, uma questão de relação comercial”, disse. “Em novembro de 2024, a família da Daiane tira a administração do prédio e, a partir daí, inicia uma série de desavenças.”
O delegado detalhou que, na leitura da polícia, o conflito passou a atingir diretamente a atuação profissional da corretora dentro do condomínio. “Passa a se extrair informações desses apartamentos para já colocar para morar e entregar para funcionar. Isso inicia uma série de desavenças”, relatou o policial.
Derrota na Justiça
Na cronologia apresentada, um marco relevante acontece poucos dias antes do desaparecimento, registrado em 17 de dezembro de 2025. “No dia 11 de dezembro, o autor tem uma derrota na Justiça”, afirmou. De acordo com ele, Daiane obteve trânsito em julgado em uma ação movida contra o condomínio.
“Era uma ação judicial em que dava a ela o acesso a todas as dependências comuns do prédio”, explicou. O delegado acrescentou que a decisão também reconheceu abusos no uso dos instrumentos da administração condominial. “[Ele] proibia ela de utilizar as áreas comuns, proibia ela o acesso a alguns hóspedes”.
Barbosa ressaltou que o timing da decisão judicial chamou atenção da força-tarefa. “Esse fato acontece no dia 11 de dezembro. É um marco temporal importante que precede o desaparecimento do dia 17.”
Para explicar como o conflito escalou, o delegado citou ainda uma movimentação anterior, em outubro. “O síndico solicita uma assembleia geral extraordinária, e uma das pautas é que ela fosse proibida de acessar o prédio e utilizar as áreas comuns, ou seja, os imóveis dela e da mãe dela”.
A investigação trata essa sequência como parte da escalada que antecede o desaparecimento e a morte da corretora. “Esse é um marco temporal importante”, reforçou Barbosa.









