“O governo dos Estados Unidos está explorando o que pode parecer um gesto humanitário para fins oportunistas e de manipulação política”, declarou o Ministério das Relações Exteriores de Cuba em comunicado divulgado na noite de quarta-feira.
Washington anunciou o envio de US$ 3 milhões (cerca de R$ 16 milhões) em ajuda humanitária por meio de dois voos fretados, que partiriam de Miami para o leste de Cuba, afirmando ter tomado “medidas extraordinárias para garantir que essa ajuda chegue diretamente ao povo cubano, sem interferência ou desvio pelo regime ilegítimo”.
A assistência dos EUA, que colaboram com a Igreja Católica na ilha comunista, deve alcançar aproximadamente 6.000 famílias, ou 24.000 pessoas, segundo o Departamento de Estado.
A diplomacia cubana esclareceu que Washington não estabeleceu nenhuma comunicação oficial com Havana para confirmar o envio dessa ajuda, 77 dias após o furacão que atingiu diversas províncias do leste do país em novembro.
“Cuba aceita esta doação incondicionalmente e entende que se trata de um gesto do povo dos Estados Unidos”, acrescentou o Ministério das Relações Exteriores.
“Nada político em latas de atúm”
A ajuda americana surge em meio às tensões causadas pelo presidente Donald Trump, que intensifica suas ameaças contra Cuba, aliada econômica e ideológica da Venezuela. Após a queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado em 3 de janeiro durante uma operação das forças americanas em Caracas, o presidente dos EUA tem instado Cuba a aceitar, “antes que seja tarde demais”, um “acordo” cuja natureza não especificou.
Cuba, fortemente dependente do petróleo venezuelano, atravessa sua pior crise econômica em 30 anos, com inflação galopante, cortes de energia e escassez de alimentos, medicamentos e combustível.
“Não há nada de político em latas de atum, arroz, feijão e macarrão. Aqueles que estão politizando a situação são membros do regime que querem desviar a atenção e mentir, e é exatamente isso que estão fazendo, porque a verdade é que são incapazes de prover para o seu próprio povo”, disse Jeremy Lewin, alto funcionário do Departamento de Estado responsável pela ajuda humanitária, a repórteres nesta quinta-feira.
Ele afirmou que “esperava que o governo cubano (…) não politizasse a questão, que não interferisse” na distribuição dessa ajuda. Para Washington, o objetivo é se engajar em “uma resposta humanitária mais ampla a Cuba”, continuou o funcionário, enfatizando que “o furacão, embora tenha causado devastação, é apenas parte do que é, na realidade, uma crise humanitária trágica e generalizada em Cuba, com doenças, fome e miséria, que são resultado da incompetência do regime e do fracasso do sistema vigente”.









