Funcionários do 1º Distrito Policial de Limeira, no interior de São Paulo, denunciaram à reportagem do Portal iG, nesta terça-feira (13), que a unidade funciona sem banheiro em condições de uso, obrigando servidores a recorrerem a um balde para necessidades fisiológicas ou a se deslocarem até um posto de combustíveis a cerca de 240 metros do local.
O caso foi confirmado pela vice-presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (SIPESP), Ildete Santos. De acordo com ela, não há prazo para a normalização da unidade, já que a responsabilidade pela manutenção da estrutura física das delegacias é do Governo do Estado de São Paulo, e não do sindicato.
Segundo Ildete, o governo tem conhecimento dos problemas enfrentados pelos policiais civis, mas ignora sistematicamente as denúncias.
“O governo do Estado de SP nunca se manifesta, ignora por completo a situação dos policiais civis do Estado. Ainda têm a cara de pau de dizerem que nunca foram oficiados ou que estão tomando providências, mas é uma falácia. Nada fazem”
Para a dirigente sindical, a situação reflete o abandono estrutural das delegacias paulistas e a falta de compromisso com condições mínimas de trabalho para os policiais civis.
Problema se repete em outras delegacias
De acordo com o SIPESP, o caso de Limeira não é isolado. Desde agosto de 2025, o sindicato vem apurando diversas denúncias envolvendo problemas estruturais em delegacias do estado.
Na Delegacia de Polícia Sede de Peruíbe, no litoral paulista, funcionários teriam arcado com os custos do conserto de um aparelho de ar-condicionado. O gasto total, incluindo instalação, manutenção e recarga de gás, foi de aproximadamente R$1.900, pagos pelos próprios servidores.

Já em dezembro do ano passado, o sindicato apurou que o 4º Distrito Policial de São José do Rio Preto, também no interior do estado, apresenta goteiras, infiltrações e risco de desabamento do teto, especialmente durante os períodos de chuva, colocando em risco trabalhadores e cidadãos que frequentam o local.
“Falta de interesse, não de dinheiro”
Para Ildete Santos, o problema não é falta de recursos, mas de prioridade política. Segundo ela, é incoerente que o estado com a maior arrecadação do país não consiga garantir condições mínimas de trabalho para seus policiais civis.
A dirigente sindical afirma ainda que, enquanto viaturas novas circulam em áreas centrais da capital para transmitir a imagem de investimento em segurança pública, a realidade no interior, na Grande São Paulo e no litoral é de viaturas sucateadas, muitas vezes mantidas em funcionamento com recursos do próprio policial ou por meio de favores de mecânicos.
Ela também relata que há delegacias em que os servidores levam equipamentos próprios, como impressoras, devido à falta de manutenção ou reposição por parte do Estado. Em alguns distritos, segundo o sindicato, falta até papel sulfite, comprado pelos próprios funcionários.
O que diz a Segurança Pública
Em nota atribuída ao 1º Distrito Policial de Limeira, a Secretaria da Segurança Pública enviou a resposta abaixo, negando as denúncias de precariedade nas instalações sanitárias.
Segundo a unidade, na versão apresentada pela Segurança Pública, não procede a informação de que o banheiro destinado ao público esteja interditado ou em condições inadequadas de uso.
De acordo com a delegacia e Segurança Pública, o prédio conta com quatro sanitários em funcionamento, sendo três destinados ao uso interno de policiais e funcionários e um exclusivo para o público externo, todos com abastecimento regular de água. A unidade afirma ainda que o atendimento ocorre normalmente, garantindo condições dignas tanto para servidores quanto para a população.









