Família denuncia condições subumanas de detida em delegacia de Cruzeiro do Sul: “dorme no chão de pedra, sem banho”

3 Min Read
Família denuncia condições subumanas de detida em delegacia de Cruzeiro do Sul: “dorme no chão de pedra, sem banho”

Uma mulher de 43 anos está detida desde a última sexta-feira (15) na Delegacia Geral do município em condições consideradas desumanas, segundo denúncia da própria família. Eliane dos Santos já passou por audiência de custódia e aguarda transferência para o Presídio Moacir Prado, em Tarauacá, a cerca de 220 km de distância, mas segue na unidade policial por falta de estrutura e de transporte por parte do sistema penitenciário.

Em vídeo publicado nas redes sociais, a sobrinha da detida, Yasmin Oliveira, relata a situação com revolta: “Ela está numa cela onde não tem local para fazer necessidades nem para tomar banho. Dorme no chão de pedra, sem colchão, no frio e sem coberta. Isso é uma crueldade”. A defesa já acionou o Ministério Público e a administração penitenciária, mas até o momento não obteve retorno nem solução imediata. Diante do impasse, parentes organizaram um protesto em frente à delegacia para cobrar providências das autoridades.

O caso é reflexo de um problema estrutural que afeta o sistema prisional feminino do Acre. A Unidade Penitenciária Feminina Guimarães Lima, que atendia à região, foi interditada e demolida por apresentar riscos de desabamento após mais de 50 anos de uso. A determinação judicial ocorreu em setembro de 2025, e desde então as vagas foram transferidas apenas para Tarauacá, enquanto as obras da nova unidade ainda não saíram do papel. Na ocasião, sete detentas foram colocadas em monitoramento eletrônico e dez foram removidas para o presídio no interior do estado.

A concentração de todas as vagas femininas em Tarauacá também traz impacto pesado para as famílias. Parentes precisam percorrer mais de 200 km para visitas, arcar com gastos de viagem e, em muitos casos, dormir na rodoviária da cidade para conseguir entregar alimentos e itens de higiene.

Procurado pela reportagem, o assessor geral da presidência do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), Marcelo Tavares, reconheceu a situação e afirmou que há esforço para resolver o caso. “As direções das unidades de Tarauacá e Cruzeiro do Sul estão alinhando os detalhes para realizar a transferência. O problema será solucionado”, garantiu, embora não tenha informado data ou prazo para a remoção da detida.

Propaganda
Compartilhe este artigo