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Investigação liga recorde de desmatamento em Rondônia a máquinas adquiridas com emendas parlamentares

PORTO VELHO (RO), 03 de janeiro de 2026 — Uma investigação da Folha de S.Paulo, repercutida pelo site Rondônia Dinâmica, aponta uma relação entre o recorde de desmatamento em Rondônia e o intenso fluxo de máquinas pesadas adquiridas com recursos de emendas parlamentares. O estado recebeu 507 equipamentos de grande porte — o equivalente a mais de 30% de todo o maquinário distribuído na Amazônia Legal — com investimento aproximado de R$ 319 milhões.
Tocantins aparece em segundo lugar, com 253 máquinas e R$ 109 milhões investidos, seguido por Mato Grosso, com 229 equipamentos e gastos de R$ 145 milhões.
A apuração considerou equipamentos como tratores de esteira e pneus, escavadeiras hidráulicas, retroescavadeiras, pás carregadeiras, motoniveladoras e rolos compactadores. Tratores agrícolas, caminhões e veículos leves não foram incluídos na contagem.
O período analisado começa em 2015, ano em que uma mudança constitucional tornou obrigatória a execução das emendas individuais, ampliando o controle do Congresso Nacional sobre o Orçamento federal. Entre 2015 e 2025, parlamentares destinavam mais de R$ 900 milhões para a compra de máquinas pesadas na Amazônia Legal, com pelo menos 1.649 equipamentos entregues a 467 municípios por meio de programas vinculados aos ministérios da Defesa, da Agricultura e do Desenvolvimento Regional.
Rondônia, governado por Marcos Rocha (União Brasil) desde 2019, concentrou a maior parte das entregas. Anteriormente, o estado foi administrado por Confúcio Moura (MDB), entre 2011 e 2018.
Somente a capital rondoniense recebeu 329 máquinas no período. Dados do MapBiomas indicam que Porto Velho ocupou a terceira posição no ranking nacional de desmatamento entre 2019 e 2025, atrás apenas de Altamira e São Félix do Xingu, ambos no Pará.
A maior parte das emendas destinadas a Rondônia foi executada por meio do programa Calha Norte. Criado há mais de 40 anos com foco estratégico-militar em áreas de fronteira, o programa passou a ser utilizado nos últimos anos como um dos principais canais de distribuição de emendas parlamentares. Informações do Transfere.gov mostram que, apenas por meio do Calha Norte, Rondônia recebeu 402 equipamentos na última década, somando R$ 234,1 milhões — mais da metade das 755 máquinas distribuídas pelo programa na Amazônia Legal. Em 2025, a gestão do programa foi transferida do Ministério da Defesa para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, após alterações em sua finalidade original.
A reportagem informa que o Governo de Rondônia foi contatado por diversos meios para se posicionar sobre os dados, mas não houve manifestação oficial até a publicação da investigação.








