A Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou a maior operação de resgate de migrantes cubanos já registrada em Roraima. Ao todo, 108 pessoas foram libertadas de uma rede de transporte clandestino, e cinco suspeitos de atuar como atravessadores foram presos. A ação aconteceu na BR-401, no município de Cantá.
Durante as abordagens, os agentes encontraram condições extremamente precárias. Muitos dos migrantes relataram passar até três dias sem comida. Entre eles havia idosos, uma mulher grávida e dez crianças, algumas com dificuldades respiratórias. Quatro veículos usados pela quadrilha foram apreendidos; um sexto suspeito conseguiu fugir.
Como funciona a rede criminosa
As investigações mostram que o grupo organiza uma rota longa e perigosa: os cubanos saem de seu país, passam pela Guiana e entram no Brasil por Bonfim, na fronteira com Roraima. De lá, são levados para diferentes regiões do país ou até para outras nações da América do Sul. Cada pessoa paga cerca de US$ 2,8 mil — mais de R$ 14 mil — para ser transportada, valor que alimenta o lucro da organização.
Os três grupos resgatados no mesmo dia fazem parte da mesma estrutura criminosa, segundo a PRF. Os migrantes foram encaminhados à Polícia Federal para regularização de sua situação e são tratados como vítimas. Já os presos responderão pelo crime de promoção de imigração ilegal.
O caso expõe a atuação de quadrilhas transnacionais que se aproveitam da busca por melhores condições de vida para explorar pessoas, colocando-as em risco de saúde e segurança em troca de altos ganhos financeiros.












