MANAUS (AM) – Dados do Portal da Transparência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), analisados pela Rede Amazônica, revelam que entre janeiro e novembro de 2025, apenas uma parcela mínima dos recursos destinados a viagens oficiais de deputados estaduais foi investida em deslocamentos para o interior do estado. No período, foram gastos R$ 746.778,37 com 308 diárias, distribuídas entre viagens nacionais, internacionais e dentro do Amazonas, com justificativas como participação em reuniões, visitas técnicas, eventos e congressos.
As viagens nacionais concentraram a maior fatia dos recursos, representando 56% do total gasto (R$ 424.362,50) em 79 deslocamentos. Brasília e São Paulo foram os destinos mais frequentes. Os deputados Delegado Péricles (PL-AM) e Adjuto Afonso (União Brasil-AM) lideraram os gastos nessa categoria, com valores acima de R$ 60 mil cada, seguidos por João Luiz (Republicanos-AM), com pouco mais de R$ 52 mil.
Em segundo lugar, as viagens internacionais consumiram 34% do total (R$ 250.309,73) em 13 deslocamentos. João Luiz destacou-se novamente como o parlamentar com maior gasto, após viagens aos Estados Unidos, China e Espanha. Alessandra Campêlo (Podemos-AM) e Adjuto Afonso também ultrapassaram R$ 40 mil nessa modalidade. Entre os destinos estão ainda Suécia.
Já as viagens para o interior do Amazonas somaram R$ 74.470,28, menos de 10% do total, em 42 deslocamentos e 63 diárias. A deputada Mayra Dias (Avante-AM) foi quem mais recebeu recursos nesse tipo de viagem, com R$ 23.641,37, seguida por Dr. George Lins (União Brasil-AM) e Mário Cesar Filho (União Brasil-AM), ambos com valores acima de R$ 10 mil. Parintins e Tabatinga foram os municípios mais visitados, com 10 viagens cada, além de Humaitá, Benjamin Constant, Autazes, Lábrea e Borba.
A situação ganha relevância em meio a questionamentos sobre o uso de recursos públicos para viagens, especialmente após denúncias em maio de 2025 sobre parlamentares da Aleam que teriam viajado para Orlando (EUA) sem divulgar agenda oficial clara, com a presença de um influenciador de turismo na comitiva, o que levantou suspeitas de caráter recreativo. Até o momento, a Aleam não se pronunciou oficialmente sobre o levantamento da Rede Amazônica, nem sobre as normas que regem as autorizações e justificativas para tais deslocamentos. Outras assembleias estaduais, como a da Bahia, já implementaram novas regras este ano para aumentar o controle sobre viagens internacionais bancadas com dinheiro público.









