Cruzeiro do Sul (AC) – O indigenista Antônio Luiz Batista de Macedo, conhecido por todos como Txai Macedo, faleceu neste domingo (15) em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, aos 72 anos. O líder enfrentava uma batalha contra câncer de rim e deixou um legado de mais de quatro décadas de luta pela garantia de direitos territoriais aos povos originários e pela proteção da Amazônia.
A notícia do falecimento repercutiu rapidamente entre instituições e movimentos que trabalham com causas indígenas e da floresta. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, divulgou nota oficial manifestando o pesar da administração municipal. “Neste momento de dor, unimo-nos em solidariedade aos familiares e amigos, rogando a Deus que conceda conforto e força a todos diante dessa perda irreparável”, destacou o prefeito.
Referência nacional do indigenismo
O Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Juruá (DSEI) reconheceu Txai como uma das maiores figuras do indigenismo no estado. Ao longo de sua trajetória, ele foi protagonista na identificação e demarcação de mais de 50 Terras Indígenas no Acre, consolidando avanços históricos para a garantia de territórios aos povos originários.
“Ao longo de mais de 40 anos de atuação na política indigenista brasileira, contribuiu de forma decisiva para a construção de um cenário mais justo para os indígenas do Acre. Txai deixa um legado histórico de compromisso com a terra, a dignidade e a proteção da floresta”, destacou o DSEI em comunicado. A instituição reforçou que o líder “permanece presente” nas lutas que continuam pela defesa dos direitos ancestrais.
Pionheiro da política de reservas extrativistas
Além do trabalho com territórios indígenas, Txai Macedo também foi um dos arquitetos da política de reservas extrativistas no Brasil. No início dos anos 1980, coordenou o movimento que levou à criação da primeira área desse tipo no Alto Juruá – um marco que uniu a proteção da natureza à valorização dos modos de vida dos povos tradicionais.
O Coletivo Território Haux fez uma profunda homenagem ao líder, destacando sua visão transformadora. “Sua caminhada foi marcada pelo compromisso inabalável com os direitos dos povos indígenas, pela defesa dos territórios e pelo cuidado com a floresta e seus povos”, afirmou o coletivo em nota.
Eles ressaltaram que Txai deixou uma herança que transcende o tempo: “Txai Macedo foi luz, coragem e alegria por onde passava. Presente nas lutas, nas palavras, nas histórias, nos poemas e nas canções, Txai ancestralizou, e sua presença segue viva na floresta, nos territórios, nas memórias e nas lutas que continuam. Seu legado o precede, guia caminhos e fortalece gerações”.
O velório será realizado na sede da Associação dos Povos Indígenas do Alto Juruá, em Cruzeiro do Sul, com acesso aberto ao público durante todo o dia de segunda-feira (16). A sepultura seguirá rituais tradicionais dos povos da região, em local reservado para líderes comunitários.











