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CIDADES

O que a COP de Belém pode aprender com a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016

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Setor hoteleiro de Belém está pressionado por causa da COP-30. Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Não é exagero afirmar que o Brasil é “expert” em crises provocadas por problemas no setor hoteleiro quando o País se vê em meio à organização de um grande evento internacional. O que tem ocorrido agora com a COP-30 de Belém, onde, segundo o embaixador André do Lago, hotéis têm cobrado diárias até 1.500% acima dos valores considerados normais, também aconteceu quando o Brasil recebeu a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Se agora delegações pedem para que o governo Lula tire a COP-30 da capital paraense, em 2014 a Fifa chegou a dar um “puxão de orelhas” público na então presidente Dilma Rousseff ao reclamar que o País não cumpriu o combinado e torcedores tiveram de dormir em cidades próximas às sedes do Mundial por falta de hotéis nas 12 capitais que receberam Neymar e cia.

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À época, o Ministério do Turismo chegou a incentivar a hospedagem em casas de família, campings e até albergues. O problema não se restringiu a cidades menores como Cuiabá, uma das sedes da Copa e campeã de reclamações dos turistas. No Rio de Janeiro também faltaram leitos em hotéis e a reportagem do Estadão, por exemplo, teve de recorrer a um quarto de motel na região central da cidade durante a cobertura do evento.

Dois anos depois, na Olimpíada de 2016, no Rio, navios ancorados no Pier Mauá funcionaram como hotéis flutuantes. Justamente a mesma alternativa que Belém vai lançar mão durante a COP na tentativa de acomodar participantes da cúpula do clima.

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Infelizmente, denúncias de práticas abusivas de preços de serviços de hotelaria, transporte e logística são comuns no Brasil, e nos acostumamos com isso. É fato que problemas no setor hoteleiro são graves o suficiente para gerar uma crise e arranhar a imagem do País. Mas, talvez, não sejam capazes de mudar um evento da grandeza da COP de lugar, sobretudo pelo simbolismo de, pela primeira vez, a cúpula se reunir em uma cidade amazônica.

As experiências da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 mostram que cabe ao governo federal liderar esse processo para evitar que a crise ganhe contornos ainda mais graves. Já passou da hora de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criar um comitê interministerial de preço e qualidade, reunindo ministérios como Casa Civil, Turismo, Justiça e até mesmo Esportes, para acompanhar de perto esse problema. A Secretaria Nacional do Consumidor, órgão que integra o Ministério da Justiça, por exemplo, pode – e deve – exigir transparência nos preços praticados pelos hotéis e plataformas de hospedagem.

Já o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que na Copa de 2014 investigou denúncias de preços abusivos em serviços de hospedagem nas 12 cidades-sede do Mundial, é outro órgão que pode ser acionado para estancar a crise.

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