Alerta de gatilho: este texto contém informações sensíveis relacionadas à exploração sexual de crianças. Em caso de pedido de ajuda urgente, entre em contato com a Polícia Militar (190) e Samu (192). Para fazer denúncia, utilize o canal do WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (61) 99656- 5008 ou Disque 100.
Denise Moreno, de 47 anos, foi presa nesta segunda-feira, 9, por participar de rede de abusos contra crianças e adolescentes, chefiada pelo piloto de avião Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, preso na mesma operação. A mulher é avó de três meninas que eram frequentemente abusadas pelo piloto, e ganhava dinheiro em troca dos estupros.
Para a polícia, Denise tinha papel central no esquema. Ela tinha a guarda das netas e autoridade sobre as crianças, de 10, 12 e 14 anos, na época que os abusos começaram. Hoje, a neta mais velha tem 18 anos.
A avó consentiu os abusos, organizava a logística dos encontros e ganhava dinheiro com eles. Segundo a delegada Ivalda Aleixo, do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo, quando Sérgio encontrava as crianças, ele as estuprava.
A Polícia Civil cumpriu mandados de busca, além das prisões, e colheu informações que reforçam que as meninas eram entregues a vários homens, diversas vezes, sempre com aval da avó.
Entenda o caso
O piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi preso temporariamente na manhã desta segunda-feira, 9, enquanto estava dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
A prisão aconteceu no âmbito da Operação Apertem os Cintos, da Polícia Civil, durante os procedimentos para embarque do voo LA3900, que iria de São Paulo para o Rio de Janeiro. Mesmo após a prisão do piloto, o voo seguiu normalmente, segundo informou a Latam.
Lopes é acusado de chefiar uma rede criminosa estruturada voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes. Denise Moreno, avó das crianças abusadas, também foi presa temporariamente. A mãe de outra vítima foi presa em flagrante. Oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados em São Paulo e Guararema também foram cumpridos.
As investigações apontam que o piloto participava do esquema de pornografia infantil e estupro de vulnerável há pelo menos oito anos. Lopes também teria usado documentos falsos para conseguir levar crianças e adolescentes a motéis.
Ele se aproximava de mãe, avós e responsáveis, como se tivesse interesse em um relacionamento, mas depois dizia que tinha interesse nas crianças, filhas ou netas das mulheres. Ele pagava de R$ 50 a R$ 100 por Pix para conseguir fotos das menores de idade, e pagava também pelos abusos.
A polícia investiga os crimes de estupro de vulnerável, estupro, favorecimento da prostituição e da exploração sexual de criança e adolescente, uso de documento falso, produção, armazenamento e compartilhamento de material de pornografia infanto-juvenil, perseguição reiterada (stalking), aliciamento de crianças e coação no curso do processo, evidenciando grave violação à dignidade sexual de crianças e adolescentes.









