O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa disse, em depoimento à Polícia Federal ao qual o Metrópoles teve acesso, que a instituição excluiu R$ 51,2 bilhões dos R$ 75 bilhões de ativos e passivos do Banco Master, após auditoria realizada durante a negociação para aquisição, no ano passado.
“O modelo de negócio, desde o primeiro momento, nunca envolveu a compra total do Banco Master”, declarou.
Na oitiva realizada no dia 30 de dezembro de 2025, Costa negou que a compra do Master tenha sido uma tentativa de salvar o banco de Daniel Vorcaro.
“Naquela primeira proposta do início do processo de auditoria, estávamos eliminando R$ 23 bilhões. Com o avançar da auditoria, isso evoluiu para R$ 51 bilhões. Então, um contrato que tem conjunto de cláusulas precedentes, que obriga reorganização societária, que exclui volume como esse de ativos, nunca poderia ser tratado como contrato de salvação do Master”, enfatizou.
O negócio chegou a ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas foi barrado no Banco Central.
O Master foi liquidado pelo BC em novembro de 2025, no mesmo dia em que a PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suposta fraude envolvendo a compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB no valor de R$ 12 bilhões.
Paulo Henrique Costa foi afastado do cargo de presidente do BRB, que ocupava há sete anos. Posteriormente, foi demitido e substituído por Nelson Antônio de Souza.
Daniel Vorcaro, dono do Master, ficou preso por 12 dias e cumpre, desde então, medidas cautelares que incluem uso de tornozeleira eletrônica.









