Neste domingo (1º), centenas de manifestantes se reuniram na Avenida Paulista para exigir que as autoridades tomem medidas contra os adolescentes envolvidos na tortura e morte do cão Orelha, um vira-lata que era cuidado por uma comunidade na Praia Brava, em Santa Catarina. O animal foi brutalmente agredido no dia 4 de janeiro e, após apresentar sérios ferimentos, foi sacrificado no dia seguinte por eutanásia.
Os participantes do ato, muitos vestindo camisetas com a imagem do cão e frases de ordem como “Não foi só um latido, foi um chamado por justiça!”, expressaram sua indignação. Adesivos com mensagens semelhantes foram distribuídos entre o público, que contava com pessoas de diversas idades, incluindo algumas acompanhadas de seus próprios animais.
O protesto começou às 10h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) e continuou ativo até as 13h, com gritos como “Não são crianças, são assassinos!” e “Não vai cair no esquecimento!”. Algumas placas também abordavam a questão da redução da maioridade penal.
A psicóloga Luana Ramos, presente no evento, defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para casos de crimes violentos. A discussão sobre essa pauta voltou a ser destacada no Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados. Luana criticou a tentativa dos pais dos jovens acusados de minimizar a gravidade do ato, afirmando que o que ocorreu não pode ser classificado como erro, mas sim como assassinato e crueldade.
Além disso, relatos indicam que os familiares dos adolescentes tentaram intimidar testemunhas para que não prestassem depoimentos. Os envolvidos são investigados por atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos.
A advogada Carmen Aires participou do ato com seus cães adotados e expressou sua preocupação com a impunidade que rodeia casos de violência contra animais. Para ela, as penalidades atuais são insuficientes e devem ser revistas. Carmen ressaltou que Orelha não foi a primeira vítima dos jovens, citando outro cachorro que quase morreu afogado por suas ações.

Imagem: Letycia Bond/ Agência Brasil
A manifestação também atraiu pessoas de fora da cidade, como o casal Thayná Coelho e Almir Lemos, que se mostraram indignados com a situação. Ao serem questionados sobre o comportamento dos jovens, ambos concordaram que fatores como classe social e cor influenciam a percepção de impunidade.
Durante o evento, a organização Ampara Animal disponibilizou materiais informativos sobre a importância da educação e reeducação social em relação à violência contra os animais, enfatizando a conexão entre essas agressões e a violência contra mulheres.
Com informações de Agência Brasil









