A Região Norte concentra os piores indicadores de segurança alimentar do país, mesmo com a redução da fome registrada na média nacional. É o que apontam os dados mais recentes do módulo de Segurança Alimentar da PNAD Contínua, divulgados pelo IBGE: estados da Amazônia Legal lideram os índices mais elevados de privação severa de alimentos.
O Amapá aparece no topo do ranking nacional de insegurança alimentar grave — situação em que há falta efetiva de refeições —, com 9,3% dos domicílios nessa condição. Na sequência estão o Amazonas, com taxa entre 7,2% e 8% (o que representa mais de 330 mil pessoas), e o Pará, onde 7% dos lares enfrentam a fome.
Quando considerados todos os níveis de restrição — leve, moderada e grave —, o cenário se agrava: apenas 37,7% dos domicílios da região têm acesso regular e suficiente à alimentação. Os outros 62,3% convivem com alguma forma de insegurança. O Pará registra a maior incidência geral, afetando 44,6% dos lares, seguido por Roraima (43,6%) e Amazonas (38,9%).
Especialistas do IBGE explicam que esse quadro resulta de desafios estruturais da região: eventos climáticos extremos que prejudicam produção e transporte, isolamento geográfico de comunidades e forte dependência de produtos de outras regiões — o que eleva custos, especialmente no Amapá.
Há também diferença entre campo e cidade: na zona rural, 31,3% das famílias vivem com insegurança alimentar, ante 23,2% nas áreas urbanas. A menor renda média e o maior número de moradores por domicílio ajudam a explicar a maior vulnerabilidade no meio rural.
A pesquisa reforça que, embora o Brasil tenha avançado no combate à fome, a Amazônia ainda enfrenta obstáculos específicos para garantir alimentação adequada e estável para sua população.












