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CIDADES

Réu por vender dados do INSS fez slogan como “defensor de aposentados”

Publicado em

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O empresário José Silva Miguel Junior, cuja empresa recebeu Pix de R$ 150 mil do contador da Conafer – instituições investigada na Farra do INSS, concorreu às eleições de 2022 sob o slogan “defensor dos aposentados”. No ano seguinte, José virou réu por integrar organização criminosa especializada em roubar dados de beneficiários da seguridade social.

Com o nome “Zé Miguel”, o empresário tentou uma vaga no Congresso Nacional como deputado federal por São Paulo. Ele, inclusive, chegou a pedir ajuda de integrantes da quadrilha para conseguir acumular votos. Conforme as investigações, enquanto participava da corrida eleitoral, José desviava benefícios dos aposentados. Ele não foi eleito.

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Segundo a operação, deflagrada em 2023, José obtinha e comercializava senhas de acesso de beneficiários e históricos de créditos. Para isso, ele utilizava “robôs” de software para invadir o sistema do INSS e desbloquear benefícios para a contratação de empréstimos consignados fraudulentos.

Em apenas três datas, o acusado teria fornecido à quadrilha quase 6 mil históricos de créditos de vítimas. Em um das vendas dos dados, ele recebeu mais de R$ 200 mil.

A Justiça estima que as organizações envolvidas nesse esquema movimentaram cerca de R$ 32 milhões de forma ilegal. O próprio José Miguel teria recebido centenas de milhares de reais em suas contas pessoais e de suas empresas, como a “JSM Veículos” e “Junior Automóveis”.

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Relatório encaminhado à CPMI do INSS

O repasse de Samuel Chrisostomo, contador da Conafer, à empresa de José Silva Miguel foi revelado por meio de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPMI do INSS e obtido pela reportagem.

De acordo com o documento, o montante foi transferido por meio da Cifrão Tecnologia, um dos vários CNPJs criados por Samuel – preso por envolvimento nos descontos indevidos.

A empresa opera na parte superior de um sobrado localizado no Distrito Federal. O Metrópoles esteve no local e apurou que no mesmo endereço também estão localizadas companhias da sócia de outra ONG investigada na fraude do INSS: a Associação de Aposentados do Brasil (AAB).

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Conforme consta no relatório, a Cifrão Tecnologia transferiu o montante a José logo após receber R$ 1,6 milhão da Conafer, em outubro de 2023.

Na mesma data, 60 outras transferências imediatas saíram da conta da empresa. Entre elas está um Pix de R$ 300 mil à BSF Gestão de Saúde – companhia que foi investigada na CPMI da Covid-19, por suspeitas de irregularidades em contratos com o Ministério da Saúde, R$ 100 mil para a N & C Distribuidora de Agropecuários e R$ 22 mil à Lucineide dos Santos Oliveira, a sócia da AAB.

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No mesmo período, Samuel também transferiu R$ 525 mil para a Solution BRB Nova, uma segunda empresa pertencente a ele.

A Cifrão, de acordo com o Coaf, trata-se de uma microempresa que exerce atividade de desenvolvimento de programas de computador, com faturamento de R$ 11.240,86. “No mês em análise, mesmo com nova atualização cadastral, movimentou aproximadamente R$ 1.625.759,14 a mais do que a capacidade declarada”, diz o documento.

Os repasses à vista, imediatos, além da movimentação exorbitante da Cifrão alertou órgãos de fiscalização que não conseguiram identificar explicação para as transferências, levantando suspeita de ser uma empresa laranja.

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O outro lado

Metrópoles tentou contatar os citados por email, por telefone e por meio de advogado, mas não obteve retorno até a última atualização do texto. A defesa de Samuel Chrisostomo não foi localizada. O espaço segue aberto para futuras manifestações

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