As Forças Armadas são vistas por muitos jovens e suas famílias como uma alternativa que proporciona estabilidade, disciplina e oportunidades de desenvolvimento profissional. No Exército Brasileiro, a entrada na carreira pode ocorrer de várias maneiras, desde o alistamento obrigatório até a participação em concursos públicos. Essas opções permitem tanto carreiras duradouras quanto experiências temporárias que podem facilitar a transição para o setor civil.
De acordo com o coronel Róger Peixoto, que atua na Seção de Serviço Militar da 8ª Região Militar, existem duas principais formas de ingresso na instituição. “A carreira permanente é acessada por meio de concurso público, enquanto o serviço temporário é oferecido por meio de processos seletivos simplificados, que ocorrem conforme a demanda do Exército”, informa.
O alistamento militar continua sendo obrigatório para homens ao completarem 18 anos, com um período de inscrição que vai de 1º de janeiro a 30 de junho todos os anos. A partir de 2025, as mulheres também poderão se alistar como soldados, de maneira voluntária. Em Belém, a primeira inclusão feminina contará com 55 vagas. “Embora o alistamento feminino seja voluntário, as mulheres incorporadas terão os mesmos direitos e deveres que os soldados”, esclarece o coronel.
Após o alistamento, os jovens passam por uma série de seleções que avaliam aspectos físicos, educacionais e sociais. Anualmente, cerca de 50 mil jovens se alistam, mas apenas em torno de 2.500 são incorporados. “Esse é um processo bastante rigoroso. A seleção se divide em uma fase geral e outra complementar, onde analisamos a aptidão física, o perfil e as qualificações dos candidatos”, detalha Peixoto.
Para aqueles que optam pelo serviço temporário, o soldado inicia sua trajetória como recruta por um período de um ano e pode estender sua permanência por até oito anos. Durante esse tempo, há oportunidades para ascender a cabos ou até mesmo a terceiros-sargentos temporários. “Os militares temporários têm a chance de progredir durante seu tempo conosco, através da realização de cursos e da assunção de novas responsabilidades”, afirma o coronel.
Os aspirantes a uma carreira de longo prazo podem se candidatar a vagas em instituições de formação como a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) e a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), que são responsáveis pela formação de oficiais. Para sargentos, a porta principal é a Escola de Sargentos das Armas (ESA), que oferece um curso de dois anos e formação técnica de nível superior.
A progressão na carreira militar é regida por critérios meritocráticos que consideram o tempo de serviço, o desempenho profissional, as avaliações físicas e as qualificações obtidas. “Desde o início da carreira, o militar acumula pontos. As promoções mais elevadas dependem não apenas do tempo de serviço, mas também do mérito e do desempenho ao longo da trajetória”, explica Peixoto.
Além do salário mensal, a carreira militar proporciona diversos benefícios, como assistência médica, alimentação, possibilidade de moradia em vilas militares e acesso a cursos de capacitação. “É uma profissão que traz estabilidade não apenas para o militar, mas também para sua família”, conclui o coronel.

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A primeira-tenente Emily Braz, formada na turma de intendência da Aman em 2021, relata que decidiu seguir essa carreira ainda no ensino médio, inspirada por seu pai militar. “Eu sempre soube que era uma profissão desafiadora, exigindo disciplina e preparo físico, mas o que realmente me surpreendeu foram as amizades e as vivências adquiridas ao longo do caminho”, conta.
Emily destaca que a formação envolve uma rotina intensa que combina estudos acadêmicos com treinamentos físicos rigorosos. “Temos instruções militares juntamente com disciplinas como economia, geopolítica e relações internacionais, além do treinamento físico constante. Tudo isso é considerado nas nossas avaliações”, menciona. “Essa rotina nos ajuda a amadurecer rapidamente e a assumir mais responsabilidades.”
O terceiro-sargento Thales Reinaldo também enfatiza a transformação rápida entre a vida civil e a militar. “Em dois anos de formação, consegui mudar totalmente minha vida. Hoje tenho uma formação técnica, estabilidade e a oportunidade de viajar pelo país”, diz ele. Para Thales, a carreira militar requer vocação: “É essencial gostar de atividade física, ter disciplina e estar preparado para ficar longe da família”.
Para os militares temporários ou aqueles que estão se aproximando da reserva, o Exército oferece programas voltados para facilitar a transição ao mercado civil. A instituição incentiva a busca por cursos técnicos e superiores e firmou parcerias com entidades do Sistema S, como Senac e Senat. “Nosso objetivo é garantir que os militares estejam preparados para o futuro. Anos antes do desligamento, eles são motivados a planejar sua qualificação”, explica Peixoto.
Atenção é recomendada para quem está indeciso sobre seguir essa trajetória; os entrevistados concordam em sugerir que se pesquise bem sobre a carreira, converse com militares e avalie seu próprio perfil. “É uma carreira muito estável e gratificante, mas possui particularidades. Aqueles que se identificam com essa profissão normalmente não se arrependem”, conclui a tenente Emily.
Com informações de Oliberal









