Os cidadãos brasileiros têm agora a oportunidade de verificar se possuem valores não reclamados em bancos ou outras instituições financeiras. O Sistema de Valores a Receber (SVR), administrado pelo Banco Central, contém atualmente um montante total de R$ 10,267 bilhões que não foram resgatados ao longo do tempo. Esses recursos pertencem a aproximadamente 49 milhões de pessoas, conforme dados atualizados em dezembro.
Motivos pelos quais o dinheiro fica esquecido
O abandono desses valores ocorre devido a uma série de fatores. Muitas pessoas acabam deixando pequenas quantias em contas encerradas ou trocando de banco. Além disso, tarifas cobradas indevidamente, valores de consórcios que foram finalizados e recursos não resgatados após o término de contratos contribuem para que esses montantes permaneçam inativos.
Quem tem direito ao resgate
O montante disponível para resgate inclui tanto pessoas físicas quanto jurídicas.
- 49,6 milhões de indivíduos têm direito a R$ 7,970 bilhões
- 5,03 milhões de empresas podem recuperar R$ 2,297 bilhões
O SVR foi criado pelo Banco Central com o objetivo de facilitar a consulta e o retorno de valores esquecidos nas instituições financeiras supervisionadas.
Distribuição dos valores esquecidos
A maior parte dos recursos está concentrada em bancos tradicionais, conforme a seguinte distribuição:
- Bancos: R$ 6,118 bilhões
- Administradoras de consórcios: R$ 2,591 bilhões
- Cooperativas de crédito: R$ 933 milhões
- Instituições de pagamento: R$ 337 milhões
- Financeiras: R$ 209 milhões
- Corretoras e distribuidoras: R$ 41 milhões
- Outras instituições: R$ 35 milhões
Esses números indicam que o esquecimento não se limita a contas bancárias convencionais, abrangendo diversos serviços financeiros.
Valores disponíveis são geralmente baixos
A maioria dos beneficiários possui quantias pequenas a receber:
- 64,94% têm até R$ 10
- 23,30% possuem entre R$ 10,01 e R$ 100
- 9,90% têm valores entre R$ 100,01 e R$ 1.000
- Apenas 1,87% podem resgatar mais de R$ 1.000
Apesar disso, o volume total continua significativo devido ao grande número de pessoas envolvidas.
Total já devolvido
Desde a implementação do sistema, os brasileiros conseguiram recuperar um total de R$ 13,352 bilhões. Desses,
- 33 milhões de pessoas físicas recuperaram R$ 9,838 bilhões
- 3,8 milhões de empresas receberam R$ 3,514 bilhões
Somente no mês de novembro passado, o sistema devolveu R$ 419 milhões aos beneficiários.
Prazos para resgate ainda abertos
Não existe um prazo final determinado para consultas ou saques dos valores. Embora uma data limite estivesse prevista para 16 de outubro de 2024, o Ministério da Fazenda optou por manter o sistema ativo por tempo indeterminado.
Como realizar a consulta e solicitar o resgate
A consulta deve ser feita exclusivamente pela internet no site oficial do Banco Central. Para acessar, siga os passos:
- Acesse valoresareceber.bcb.gov.br
- Informe seu CPF e data de nascimento
- Clique em “consultar”
Para solicitar o resgate, é necessário ter uma conta gov.br de nível prata ou ouro. Aqueles que ainda não possuem esse nível devem aumentar a segurança da conta antes de iniciar o processo. Após aceitar os termos de responsabilidade, o sistema informará o valor disponível e a instituição responsável pela devolução. Os pagamentos podem ser feitos via Pix em até 12 dias úteis ou diretamente com a instituição financeira.
A origem dos valores esquecidos
Os valores não reclamados podem ser originados de várias situações, como:
- Cobranças indevidas de tarifas
- Saldos deixados em contas correntes ou de poupança encerradas
- Saldos em contas pré ou pós-pagas encerradas
- Recursos não reclamados de consórcios finalizados
- Cobranças indevidas em operações de crédito
- Cotas de capital e sobras em cooperativas de crédito
- Saldos mantidos por corretoras e distribuidoras já fechadas
Cuidado com fraudes
O Banco Central alerta sobre tentativas de fraudes relacionadas ao SVR. É importante ressaltar que:
- A única página oficial é valoresareceber.bcb.gov.br
- Nunca clique em links enviados por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens
- Nenhuma instituição solicita senhas ou pagamentos para acesso aos valores
- O Banco Central não realiza contatos para confirmação de dados pessoais
Todos os serviços oferecidos pelo sistema são gratuitos; qualquer cobrança deve ser considerada uma tentativa de golpe.
Com informações de N1n







