ENTRETENIMENTO
Morte de Cuoco duas semanas após tributo na Globo prova o valor de homenagens em vida

“Homenagem póstuma é um tipo de injustiça com data marcada”, disse o gigantesco ator Mario Lago (1911-2002). A reflexão cabe nessa despedida ao igualmente magistral Francisco Cuoco.
Em 6 de junho, 13 dias antes de morrer, o veterano galã ganhou da Globo uma edição do programa ‘Tributo’. Na gravação, ele já estava fragilizado por problemas de saúde.
Protagonista de clássicos da teledramaturgia — a exemplo de ‘Redenção’, ‘Selva de Pedra’, ‘Pecado Capital’ e ‘O Astro’ —, Cuoco passou os últimos 20 anos de carreira escalado para papéis fixos menores e participações rápidas em novelas.
O envelhecimento cobrou dele um preço alto. Autores raramente escrevem bons personagens para atores acima dos 70, 80 anos, que passam a depender de personagens coadjuvantes ou, perdão pelo eufemismo, aparições afetivas. Tantos talentos desperdiçados por se associar a velhice com incapacidade de agradar ao público.
Vários atores velhos foram esquecidos pelas emissoras e pela imprensa. Alguns ganharam homenagens na TV somente após a morte. Entre eles, Leonardo Villar, Oswaldo Louzada e Ruth de Souza.
Outro imoral da comunicação, Chico Anysio, estava certo ao criticar essa falha cultural do país. “Depois que a gente morre, até quem não gostava elogia. O brasileiro tem mania de só reconhecer talento depois que o artista morre.”
