A história real de uma mulher que simulou uma gravidez e sequestrou uma recém-nascida para sustentar uma mentira familiar virou tema do documentário ‘A Child of My Own’, lançado pela Netflix. O crime aconteceu na Cidade do México, em 2009, quando Eleonor Alejandra Marín Mendoza, então com 26 anos, saiu de uma maternidade carregando uma bebê dentro de uma sacola de presentes.
Pressionada pelo marido e pela família para gerar um filho, Mendoza acumulava o trauma de três abortos espontâneos consecutivos. Com medo do abandono e da rejeição, ela decidiu esconder a última perda e encenar uma gestação real, passou a comer descontroladamente para aumentar o volume do abdômen, saltando de 54 kg para quase 90 kg, e chegou a organizar um chá de bebê para amigos e parentes. Como era funcionária do setor de ginecologia do hospital, ela também fraudou os próprios exames médicos.
No dia do crime, Mendoza aproveitou o acesso às dependências da unidade de saúde para levar a pequena Katya Valentina. Horas após o sumiço da criança, a polícia localizou a criminosa e o marido em um motel da região. A bebê foi resgatada sem ferimentos e devolvida aos pais biológicos.
O marido de Eleonor chegou a ficar detido preventivamente por dois anos, mas acabou absolvido após a Justiça comprovar que ele também havia sido enganado pela mulher. Mendoza foi sentenciada a 13 anos de reclusão pelo sequestro.
Dirigido pela cineasta chilena Maite Alberdi, indicada duas vezes ao Oscar, o documentário mostra os depoimentos dos envolvidos. Enquanto Mendoza alega que havia combinado a entrega da recém-nascida com a mãe biológica, a genitora da menina, Mayra Navarro Vega, nega veementemente o pacto e afirma que teve a filha roubada do leito enquanto ia ao banheiro.
Em liberdade desde 2023, após cumprir a pena integral, Mendoza afirma na produção que usou os anos de cárcere para se desvincular da obsessão pela maternidade imposta pela família.












